A pandemia é um motivo para uma maior dificuldade das famílias.

Até ao momento, foram perto de 98 mil os candidatos a bolsa de ação social no ensino superior. O número de pedidos é o mais elevado de sempre nesta fase do ano letivo, reforçando uma tendência que já vinha do ano passado. As associações dos estudantes acreditam que os efeitos da quebra de rendimentos de muitas famílias devido à pandemia podem ser um dos motivos que ajudam a explicar este aumento.

De acordo com dados disponibilizados pela Direção-Geral do Ensino Superior (DGES), até 21 de outubro, foram 97.707 os estudantes que apresentaram a sua candidatura a uma bolsa de estudo. Em igual período, há mais 1250 pedidos este ano do que o ano passado. Este aumento do número de candidatos a bolsa de estudo no presente ano letivo e no anterior coincide com o crescimento do número de estudantes colocados nos últimos dois concursos nacionais de acesso.

Em declarações ao Público, a presidente da Federação Académica do Porto (FAP), Ana Gabriela Cabilhas, acredita que essa é “uma das razões” para o aumento, nestes dois últimos anos, do número de alunos que pede apoio para estudar. No entanto, a FAP tem também notado um “aumento das dificuldades dos estudantes, devido às quebras de rendimentos” dos próprios ou das famílias, devido aos impactos económicos da pandemia de covid-19.

O processo encontra-se, ainda assim, mais rápido do que no ano passado. Há 23.747 estudantes que já sabem que vão receber bolsa de estudo. No ano passado, por esta altura, eram menos de 15 mil. Outros 2004 alunos viram o seu pedido recusado. Os dados da DGES permitem perceber que continua a haver grande discrepância entre as instituições. Enquanto a Universidade de Évora já deu resposta a 46,8% das candidaturas e o Instituto Politécnico do Porto já decidiu sobre 40,6% dos processos, o Instituto Politécnico da Guarda tem decisão sobre apenas 2,4% dos casos. Em pior caso está o Politécnico de Viana do Castelo que decidiu sobre pouco mais de 1%.