Quase um ano após a sua estreia, a girlsband Aespa lançou, a 5 de outubro, o seu “primeiro mini-álbum” – Savage. Dando seguimento ao estilo explorado anteriormente, é um disco bastante peculiar. Partes excelentes contrapostas com momentos execráveis para os ouvidos, refletem-se numa excessiva dificuldade em comentar este álbum.

aenergy” principia este álbum e, exatamente como referia, traz consigo a dificuldade de a comentar. Ao som de uma batida pop eletrónica, valida-se como uma faixa que irradia uma pujança invulgar, mas sem se tornar muito agressiva. Todavia, ainda que a abordagem lírica seja interessante, explorando as qualidades individuais das integrantes, a letra desenrola-se, aborrecidamente, sem apresentar um conteúdo que “toque no coração”.

Pelo contrário, “Savage”, o single principal, transmite um vigor que me faz perder o controlo e sentir uma confiança única, como se o mundo estivesse a meus pés. Melodicamente, é uma música de excelência e não falha em entregar uma diversidade musical que nunca havia ouvido. A amálgama entre estilos como dance-pop, hyperpop, cyberpunk e dubstep, permitem-nos conhecer três músicas diferentes dentro de uma só, o que poderia ser problemático, se não fosse pela mixagem fantástica.

Savage” continua a fábula que o grupo tem vindo a contar nos seus lançamentos anteriores: proteger o planeta imaginário, Kwanga, da perigosa Mamba Negra. Embora partes como o último refrão e a bridge sejam um pouco desagradáveis, devo salientar a magnanimidade do pré-refrão, especialmente quando cantado pela líder, Karina. Importa, ainda, referir o incrível videoclipe que acompanha a música. Este faz referências à história narrada na letra.

Esperava muita coisa deste disco, mas “I’ll Make You Cry” não era uma delas. No que concerne a letra, pode não ser a experiência mais inovadora. Porém, a produção ostenta uma qualidade peculiar que transparece uma ferocidade e uma ousadia inesquecíveis. Por sua vez, “YEPPI YEPPI”, a quarta faixa do álbum, concretiza um género de felicidade que faz qualquer um dançar. Contudo, disso não passa e não sobressai face às restantes músicas. Em “ICONIC”, o caso é o mesmo, a diferença reside no instrumental mais alternativo e aprazível.

Por fim, “Lucid Dream” encerra este trabalho sonoro numa tonalidade mais calma e misteriosa. As vozes das integrantes interligam-se perfeitamente com o género R&B que predomina. Ademais, o final da música conta com um momento virado para o estilo de eletrónica. Este momento chocou-me positivamente pelo quão bem se encaixava com os restantes elementos sonoros.

Definitivamente, este EP das Aespa não oferece aos fãs nada de revolucionário ou que deixe alguém estupefacto. Não obstante, foi o suficiente para prosseguir com as características musicais já iniciadas anteriormente. O percurso deste grupo depende excessivamente dos seus lançamentos futuros, mesmo estando carregadas de talento.