A 7 de novembro, celebramos o Dia Internacional da Preguiça. Com pertinência, no último sábado, dia 6 de novembro, assinalámos o dia da Consciencialização do Stress. Afinal, a vida não é para ser sempre levada a correr. Assim, o ComUM preparou uma lista de músicas, livros e filmes que ajudam a promover conforto e combater o aborrecimento nos dias em que “não queremos mexer uma palha”.

Cinema

Antes de amanhecer (1995) – Jesse é um jovem americano. Celine uma jovem francesa. O que os une? Serem ambos passageiros de um comboio que ruma a Paris. O que começa com uma conversa inocente e proveniente de aborrecimento de uma longa viagem num transporte público, passa para uma escala em Viena que decidem passar juntos. Os que “odeiam filmes românticos”, e falo por experiência, convertem-se com a sinceridade das performances, a credibilidade dos diálogos e paisagens românticas da capital austríaca. Ademais, a paixão que vão ganhar por esta longa-metragem não acaba logo, visto que este é apenas o início da trilogia. (Título Original: Before Sunrise)

Harry Potter e a Pedra Filosofal (2001) – O início da saga criadora de infâncias é perfeito para um dia em que o plano é não nos levantarmos. Ao longo dos filmes, acompanhamos Harry na sua entrada e peripécias num mundo mágico, juntamente com os seus amigos Ron e Hermione. Para quem já os viu, o fator nostalgia sabe sempre bem. Para quem não os viu, de que é que estão à espera? Aliás, se dermos mesmo o dia como perdido no que toca à produtividade, a melhor parte de Harry Potter e a Pedra Filosofal é o facto de termos mais sete filmes depois deste. Para além disso, é senso comum que o que dá sentido à época entre o Halloween e o Natal é uma boa maratona de Harry Potter e chocolate-quente. (Título Original: Harry Potter and the Sorcerer’s Stone)

O Diabo Veste Prada (2006) – Esta comédia-romântica de David Frankel é a definição de “filme de domingo”, mas em bom. Andrea Sachs, interpretada pela magnífica Anne Hathaway, é uma jovem que, ao perseguir sem frutos o seu sonho no jornalismo, de forma a arranjar dinheiro, acaba por ir trabalhar para uma revista de moda. Este trabalho exaustivo e comandado por Miranda Priestley (Meryl Streep) é o sonho de metade das raparigas de Nova York, menos de Andrea. Num dia em que não queremos pensar muito, mas ainda assim não queremos um filme de pouca qualidade, os desesperos e pequenas vitórias da protagonista, os outfits estonteantes e o desempenho destas duas grandes atrizes, assentam como uma luva. (Título Original: The Devil Wears Prada)

O Fantástico Senhor Raposo (2009) – O filme de animação em stop-motion, traz-nos uma personagem que, para nos fazer sentir melhor, também está aborrecida. Porém, nem por isso está preguiçosa. Depois de anos a combater o seu instinto animal, Mr. Fox decide invadir os campos dos seus vizinhos, mas é fácil de prever que nem tudo corre como esperava. Baseado numa estória infantil, portanto com a complexidade perfeita de um dia que não queremos pôr a cabeça a trabalhar, juntamente com o sentido estético de Wes Anderson, esta longa-metragem é um must celebrar a falta de energia. (Título Original: Fantastic Mr. Fox)

Vaiana (2016) – Há qualquer coisa nos dias preguiçosos que pede filmes de animação. Nesse sentido, o dia de hoje é perfeito para ver Vaiana. A nossa heroína já tinha uma vontade imensa de conhecer a parte do mar que não vê. Quando o seu povo precisa de ajuda, não hesita em rumar numa pequena jangada em busca de solução com o semi-deus, Maui. Com cores vibrantes, músicas que não vão sair da cabeça e tudo resto que podemos pedir de um filme da Disney, Vaiana é incrível para ficarmos colados no sofá de coração quentinho. (Título Original: Moana)

 

Literatura

Editora: Publicações Europa-América

As Aventuras de Sherlock Holmes (1892) – Esta coletânea de Arthur Conan Doyle, sobre as peripécias do maior detetive da história da literatura, é perfeita para um dia preguiçoso. Originalmente publicados numa revista, estes contos falam-nos de estórias impressionantes, mistérios viciantes e a clássica lógica de Holmes para lá de genial. O facto de se tratar de uma obra de contos, facilita a que possamos ler aos poucos e sem sofrer por saber o final. (Título Original: The Adventures of Sherlock Holmes)

Editora: Booksmile

O Principezinho (1943) – Para quem não teve ainda oportunidade de ler O Principezinho, um dia de preguiça é perfeito para tirar o livro da lista. Pequeno ao ponto de o acabarmos num dia só, esta obra reflete, entre muitos outros temas pertinentes, sobre a inocência infantil, a amizade e a criatividade e pureza que perdemos ao crescer. As palavras simples, as ilustrações também de Antoine de Saint-Exupéry e a mensagem poderosa, mas carinhosa, tornaram esta obra uma das mais traduzidas no mundo e perfeita para um dia sem agitações. (Título Original: Le Petit Prince)

Editora: DEBOLS!LLO

Crónica de uma Morte Anunciada (1981) – Nesta obra de Gabriel García Márquez, toda a gente sabia que Santiago ia morrer, não foi uma surpresa para ninguém exceto para ele mesmo. A estória contada de forma não linear, vai montado, como um puzzle, os eventos relatados, de modo a perceber por que razão é que toda a gente sabendo, ninguém impediu o evento fatídico. Um daqueles livros que não podemos largar por um segundo, para um daqueles dias em que não queremos largar a cama por um segundo. (Título Original: Crónica de una muerte anunciada)

Editora: Companhia de Bolso

O Livro do Desassossego (1982) – Assinado pelo semi-heterónimo de Fernando Pessoa, Bernardo Soares, O Livro do Desassossego é uma obra de pensamentos. Pessoa chegou, inclusive, a descrevê-la com a frase “São as minhas confissões e, se nelas nada digo, é que nada tenho para dizer”. Será possível pensar numa procrastinação mais produtiva do que entrar no labirinto mental de um dos maiores génios da literatura portuguesa? (Título Original: O Livro do Desassossego)

Editora: Companhia das Letras

O Conto da Ilha Desconhecida (1997) – Esta estória de apenas algumas páginas, criada por José Saramago, foi feita para ler num ápice. O mote é simples. Um homem pede a um rei um barco para que rume à ilha desconhecida. Mas, afinal, se é desconhecida, como se ruma até lá? Mas não serão todas as ilhas desconhecidas até que alguém rume até lá? Um texto curto, irónico e reflexivo, com a genialidade de Saramago, mas com um número de páginas razoável a um preguiçoso. (Título Original: O Conto da Ilha Desconhecida)

 

Música

“The Lazy Song”, Bruno Mars (2010)  – Este hit da estreia em estúdio de Bruno Mars, Doo-Wops & Hooligans, foi escrito, precisamente, num momento de procrastinação. Quando o artista, Philio Lawrence e Ari Levine estavam no estúdio sem vontade alguma de trabalhar, o número quatro das tabelas Billboard nasceu. Com uma letra para lá de relacionável, o artista descreve o que não lhe apetece e apetece fazer num dia como este. Aliás, até o videoclipe remonta para a preguiça, visto que foi gravado num só shot no mesmo sítio e com pouca vontade de usar calças.

“Style”, Taylor Swift (2015) – Nada melhor que aproveitar um dia de preguiça ao som de uma das maiores vozes da atualidade, Taylor Swift. A música “Style”, que integra o álbum 1989, é uma faixa que se apresenta como electro-pop, mas que tem, também, um estilo new-wave que parece não querer sair das nossas cabeças. Apesar da letra falar de um relacionamento em que, na verdade “nunca acabaram”, o instrumental é o que mais se destaca. O uso intenso da bateria e da guitarra, assim como de sintetizadores que proporcionam um ambiente mais retro, faz com que se queira ouvir esta música on repeat num dia mais calmo.

“Tangerine Skies”, Edwin Raphael feat. Claire Ridgely (2019) – Sendo um dos singles do álbum Will You Think Of Me Later? (2019), do artista Edwin Raphael, “Tangerine Skies” é uma das músicas mais recomendadas no âmbito da preguiça. O título remete-nos de imediato para uma construção de uma imagem do subconsciente onde, acompanhado com a lírica e harmonia suaves, construímos o nosso próprio cenário, ao som do pôr-do-sol. A nostalgia e conforto são, sem dúvida, as sensações que mais predominam na sonoridade, despertando em nós um sentimento nostálgico tão necessário nos dias de ficar a rebolar na cama.

“Dancing With A Stranger”, Sam Smith feat. Normani (2020) – Se a nossa preguiça for gerada por um coração partido e, na verdade, até queremos combatê-la ligeiramente, “Dancing With A Stranger” é o remédio. Com uma batida compassada, os dois artistas falam-nos da vontade de estar na cama, mas de, ao mesmo tempo, terem que ir sair para tirar o ex-companheiro da cabeça. Ainda assim, mesmo que não queiramos contrariar a vontade de não fazer nada, este hit é, sem dúvida, melódico o suficiente para ser a banda-sonora do nosso Dia de Preguiça.

“Time Alone With You”, Jacob Collier feat. Daniel Caesar (2020) – Esta música de Jacob Collier com a participação de Daniel Caesar faz parte do álbum Djesse Vol. 3 (2020) que, por si só, também é perfeito para um dia de calmaria. Numa mistura impressionante de duas vozes ímpares, talentos musicais extraordinários, pop, jazz e gospel, o single torna-se algo que não sabíamos que queríamos, mas agora não conseguimos viver sem. A profundidade da voz de Caesar e a excentricidade genial de Collier (que toca todos os instrumentos presentes, menos o trompete) dão-nos vontade de passar o dia em casa, sem fazer nada, mas a aproveitar a companhia de alguém.

Artigo por: Ana Catarina Fernandes, Diogo Braga e Leonor Alhinho