Marília Mendonça, de 26 anos, faleceu esta sexta-feira, dia 5 de novembro, após a queda do avião em que se encontrava, em Minas Gerais. Relembremos todo o percurso excecional da artista que era um dos maiores nomes do sertanejo da atualidade.

Nascida em Cristianópolis, Marília Mendonça sempre revelou uma grande aptidão musical. Depois do lançamento de um EP de compilações de performances em 2014, tentou a sua sorte, em 2015, com o primeiro projeto de originais. Contudo, só em 2016 é que começou a verdadeira escalada para o sucesso. Neste projeto com o seu nome, onde estava incluído o single de grande sucesso “Infiel”, mostrou ser uma estrela em ascensão. Os prémios não pararam de cair enquanto a música sobre traição se tornava uma das mais reproduzidas no Brasil.

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Entre EPs, álbuns, concertos e mais concertos, o nome Marília Mendonça começou a ser quase sinónimo de sertanejo. A cantora foi trabalhando com diversos artistas de renome, entre os quais Bruno & Marrone. Aliás, pouco tempo após o lançamento de um single fruto desta colaboração- “Transplante” (2017), tornou-se a décima terceira artista mais ouvida no mundo. Em 2019, o Spotify acabaria por divulgar que MM ocupava o primeiro lugar entre as mulheres mais ouvidas no Brasil.

A voz de “Me Ame Mais”, ao longo da sua vida, lançou quatro álbuns a solo e quatro colaborativos. Estes últimos, lançados entre 2016 e 2021, contaram com Maiara & Marisa, outros dois grandes nomes na indústria musical brasileira. Aliás, as três mulheres lançaram o último projeto, “Patroas 35%”, a 14 de outubro. O trio mantinha uma amizade de mais de dez anos e aproveitavam sempre a música para trazer temas de empoderamento feminino e de experiências pessoais que as fizeram crescer. O destaque deste projeto foi, sem dúvida, “Esqueça-me Se For Capaz” que trouxe consigo a hastag #MissãoPatroas, uma iniciativa que procura que as mulheres mostrem momentos de “dever cumprido”.

Apesar do caminho que a jovem artista teve individualmente e como performer, as suas qualidades enquanto compositora já eram conhecidas desde os 12 anos. Com essa idade, escreveu várias músicas de sucesso para outros artistas como, por exemplo, “Muito Gelo, Pouco Whisky” de Wesley Safadão. Toda esta junção entre uma voz poderosa, mensagens pertinentes e a arte de bem-escrever levou a que Marília recebesse vários prémios ao longo dos anos. Entre estes, destacamos um Grammy Latino para Melhor Álbum de Música Sertaneja em 2019 e um MTV Millennial Award Brasil para Hino de Karaoke em Casa em 2020.

Esta sexta-feira, enlutados, desejamos que o legado de Marília Mendonça não seja perdido. Que haja sempre espaço para homenagear esta jovem mulher que, para além de ter uma poderosa voz e ser um marco do sertanejo, usava o seu dom musical para empoderar o género feminino. O seu talento ecoou e atravessou o Atlântico e pretendemos que a força da solidariedade faça o mesmo.