Após 40 anos, a aclamada banda sueca ABBA retorna ao mundo da música e traz consigo o mais recente álbum, Voyage. Um projeto onde estão presentes, não só os ritmos melódicos e dançantes a que nos habituaram, como também são explorados estilos eletrónicos e futuristas.

Sendo hoje um dos nomes mais sonoros no panorama musical, os ABBA ganharam reconhecimento quando venceram, em 1974, a Eurovisão com a música internacionalmente conhecida, “Waterloo”. Com nove álbuns de estúdio gravados, muitos dos seus sucessos ainda são reconhecidos atualmente. Grandes hits como  “Dancing Queen”, “Gimme! Gimme! Gimme! (A Man After Midnight)” e “Super Trouper” até integraram um dos mais aclamados filmes musicais de sempre, Mamma Mia (2008).

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Como parte da promoção do álbum, o grupo anunciou através de uma live no Instagram que irá fazer uma série de concertos em Londres, em maio de 2022, numa arena arquitetada especificamente para o retorno da banda. No entanto este espetáculo não será apenas “mais um”. Os ABBA prometem trazer uma exibição inovadora e arrojada, visto que utilizarão tecnologia de ponta que recriará os quatro elementos do grupo. Através de avatares digitais, a sua aparência será recriada da maneira que se encontravam três anos antes da sua separação, em 1979.

“Dont Shut Me Down” foi escolhida, pelo grupo, como o primeiro single a ser lançado, em conjunto com “I Still Have Faith In You”. Na primeira música, que começa por ser bastante tranquila, os ABBA explicam o porquê de estarem de volta. No refrão, um ritmo dançante envolve o ambiente e é percetível agora uma nova energia na banda, como se estivessem rejuvenescidos. Mostram voltar com paixão, ânsia e vontade e o seu único apelo é que os fãs lhes deem mais uma chance.

Todas as músicas do álbum parecem funcionar em perfeita harmonia, quase como se cada uma completasse a anterior. O tema principal do projeto tende a focar-se em acontecimentos passados, porém olhando para eles do ponto de vista do presente. Um exemplo disso é a música “Keep An Eye on Dan”, que segundo Björn, fala de uma criança que é deixada na casa do seu pai aos fins de semana, fruto do divórcio. Uma música que mistura ritmos progressistas com sons dos anos 80, mas sem perder a identidade musical da banda. No final ainda houve espaço para uns acordes de piano que nos remontam para a música “SOS”, como se de uma homenagem se tratasse.

Para finalizar Voyage em grande, “Ode To Freedom” sugere uma faixa muito semelhante a um hino nacional, repleta de sons orquestrais de violino. Apesar do instrumental épico, a mensagem reflete a incapacidade dos autores (Björn e Benny) conseguirem escrever uma ode que fique na memória, como o título promete. Também pretende fazer com que a audiência reflita sobre o verdadeiro significado da palavra e do conceito de “Liberdade” nos dias que correm, especialmente na Europa.

Voyage consagra-se, com tudo isto, como um álbum de despedida para uma das bandas mais queridas pelo público internacional. É inegável um amadurecimento notável da banda, nas letras e nas melodias. No entanto, talvez não se adeque a quem procurava ouvir algo um pouco diferente dos seus trabalhos clássicos. Para os mais apreciadores deste género de música, é definitivamente um must listen. Com o objetivo de inovar, porém nunca deixando para trás a sua raiz musical é admirável o facto dos ABBA nunca perderem a sua identidade. Uma forma incrível de mostrarem que ainda cá estão, iguais, mas adaptados aos dias de hoje. Uma banda que merece permanecer em nós, com um projeto que nos veio relembrar disso.