Envolvida em vários projetos feministas, a estudante de Direito, Ana Correia, foi a oradora do evento sobre género.
A HeForShe UMinho realizou, esta terça – feira, o evento “Impressão Digital De Género”, que decorreu através da plataforma Instagram. A oradora convidada foi Ana Lomba Correia, estudante de Direito na Universidade do Minho, que desenvolveu alguns pontos fulcrais sobre o movimento feminista e sobre o que o mesmo representa.
Ana Correia começou a sessão com uma breve explicação sobre a organização Women2Women Portugal e sobre a sua jornada feminista através de um programa nos Estados Unidos da América, em que teve a oportunidade de aprender sobre problemas como a mutilação genital feminina. A estudante acrescentou ainda que sempre que volta ao programa a sua “bolha de privilégio vem muito mais enfraquecida”. Isto acontece porque adquire “mais consciência cultural”, absorvendo este conhecimento através de “conversas reais de pessoas, e não numa vertente teórica”.
Posteriormente, a feminista mencionou o seu contexto familiar e como este lhe mostrou as “desigualdades sistémicas que existem”. A oradora referiu as adversidades inerentes ao facto ser filha de uma mãe solteira, enfatizando que esta é a realidade de “muitas mulheres neste país”. Deste modo, Ana Correia pôs em perspetiva o papel do pai, que é inibido pela sociedade do exercício das suas funções, pelo que cabe à mãe cuidar dos seus filhos e não ao homem, cuja ausência é perspetivada como algo natural. Em contrapartida, e apesar do pai ter responsabilidades prescritas na lei, a estudante argumentou que “na prática são muito difíceis de ser aplicadas”.
Quando confrontada com a influência do Direito na sua posição feminista, Ana Correia frisou que a área de formação não mudou a sua perspetiva, referindo que foi o feminismo que mudou a forma como olha para curso e para o próprio sistema. Deste modo, a escolha por este ramo incidiu na vontade de “entender o sistema e as suas lacunas, de modo a participar na solução desses problemas e a trabalhar por um sistema mais justo”. Assim, a oradora procura inserir o feminismo no que está a estudar, para mais tarde conseguir garantir os direitos humanos de todos e todas.
Relativamente à estratificação dos papéis sociais da mulher e do homem na sociedade, a oradora começou por desconstruir a divisão existente que se inicia desde a infância. Através da sua experiência pessoal, remeteu a conversa para as suas aulas de Educação Física, em que as meninas faziam ginástica e os rapazes jogavam à bola. Também nos brinquedos de Natal, observa-se essa diferenciação entre o que é feminino e masculino. A estudante referiu que essas expetativas “precisam de ser combatidas tanto nas mulheres como nos homens – há rapazes que odeiam jogar futebol, mas que por serem rapazes são escolhidos para as equipas”.
Segundo a oradora, é necessário “desapegar dos padrões” de género, algo que a própria tem dificuldade em fazer, visto que estão bastante interiorizados na mente coletiva. Um dos estereótipos mais vincados é a categorização do corpo que não só cria pressão nas pessoas, como também “estabelece espectativas irrealistas”, que para além de insuficientes, estão em constante mutabilidade. Acrescentou ainda que a máxima do movimento feminista é que “as pessoas possam ser quem são”, tendo a liberdade de seguir ou não o padrão, que consiste “no fundo na prática da autodeterminação”. Portanto, é necessário “introduzir compaixão e fazer perguntas” para que possa haver uma menor apreensão em aderir a este movimento e evitar possíveis deturpações do seu significado.
Para finalizar, Ana Correia referiu o papel das instituições no desenvolvimento de uma sociedade menos influenciada pelos valores patriarcais, constatando que as iniciativas privadas podem exercer mais influência a esse nível através da publicidade. A estudante aproveitou para apelar à “responsabilidade social” nos casos em que há um envolvimento entre uma marca e um projeto beneficiário. Nestas situações, considerou que muitas marcar aproveitam a oportunidade para se associarem a “tendências”, mas que por vezes a raiz do seu trabalho passa por abuso laboral.


