A data foi instituída pela Organização das Nações Unidas em 2005.

O Dia Internacional da Solidariedade Humana celebra-se esta segunda-feira, dia 20 de dezembro. Para assinalar a data, o ComUM esteve à conversa com a mentora da associação Virar A Página, Helena Vaz, e com o responsável pela orientação dos voluntários associação, Carlos Ribeiro.

Segundo Helena Vaz, a iniciativa Virar A Página foi criada em março de 2020, para dar resposta à urgência alimentar gerada pela pandemia. Assim, a ideia surgiu durante o confinamento, numa época em que muitas instituições estavam a fechar”. Apesar de uma previsibilidade inicial de apenas “duas semanas, [o projeto] acabou por durar até agora, fazendo dois anos em março do próximo ano”. A mentora considera que a associação já cresceu significativamente, visto que atualmente “estão muito ligados às  pessoas”, fazendo com que “ao entrar na casa das pessoas, as ajudas vão-se estendendo a outras áreas”.

Da mesma forma, Helena Vaz afirma que este projeto vai continuar de pé até ao momento em que as pessoas deixem de precisar de apoio. Adianta ainda que, neste momento, a associação presta serviços a 66 famílias, que totalizam 135 pessoas, existindo sempre alguém a entrar e a sair da alçada da associação. Deste modo, surge a necessidade de verificar se a associação “já não é um nome como outro qualquer, nem algo que está na moda, essa ideia de ser algo de temporário” e se ainda é útil para a população.

Em termos das dificuldades sentidas, Carlos Ribeiro começa por dizer que “as deste ano não são as mesmas de há um ano atrás”. A associação têm conseguido fazer face às dificuldades através do apoio de parceiros que facultam, todos os dias, donativos, bens e alimentos. O responsável pela organização dos voluntários refere ainda que existe uma infinidade de pormenores que têm de ser tratados como a necessidade diária de sacos plástico e os agrafos para etiquetar o código das pessoas. Por esse motivo, e por ser um projeto sem ajuda pública, “só com a boa vontade de muita gente, uns a trabalhar, outros a dar que podemos pôr a comida na mesa para centenas de pessoas”.

Devido à irregularidade dos donativos, a instituição depara-se por vezes com produtos em excesso, tanto dos excedentes que a associação vai buscar ao supermercado, como das ofertas do exterior, havendo sempre uma tentativa para não desperdiçar. Carlos Ribeiro adianta ainda que é importante “ter a certeza de que as pessoas não vão passar fome naquele dia”.

Carlos Ribeiro realça o papel dos voluntários, que são imprescindíveis do princípio ao fim do projeto, permitindo que não haja “fome em Braga”. “Se não formos nós, serão outras instituições, mas as pessoas não podem passar dificuldades na alimentação”, reitera. Estes desempenham inúmeras tarefas, mapeadas por Carlos, que passam desde a limpeza do espaço à organização, confeção e embalagem dos alimentos. Helena Vaz acrescenta ainda “que os voluntários fazem isto, pequenas grandes coisas, coisas que se veem, coisas que não se veem e esse tipo de equipa é bonito”.

Além da ajuda diária, a associação presenteia os seus benificiários durante a época natalícia, numa iniciativa que consiste em levar um presente à escolha de cada membro da família. A mentora explicita que existem “algumas pessoas que nos pedem detergentes de roupa, ou fraldas para idosos, ou no caso de uma família em que a mãe vê um espacinho à frente do nome de cada um e pensa que só pode pedir uma coisa, então pede uma toalha de mesa para um, um aquecedor para outro”. Deparados com estas situações, a associação Virar A Página entra imediatamente em contacto com outras redes. Assim, é possível angariar desde frigoríficos a mobílias para quartos, a pedido das famílias.

Os responsáveis apelam à solidariedade da comunidade, referindo que quem estiver interessado em prestar serviços na associação, assim como fazer donativos, pode fazê-lo online, via Facebook, através de mensagem privada. É ainda possível dirigir-se presencialmente ao CLIB, ou contactar por telefone, através do número que está disponível no site oficial e na página do Facebook.

Artigo escrito por: Carolina Damas e Lara Inês Freitas