O protesto inicia-se junto à estátua do Prometeu, no campus de Gualtar, pelas 15h00.
A manifestação decorre esta quinta-feira, dia 2 de dezembro. Segundo Carlota da Silva, uma das pessoas responsáveis pela organização da mobilização, a manifestação surge devido à “indignação” sentida pelos estudantes por causa da “inércia dos serviços administrativos da Universidade do Minho em resposta a dois casos específicos de assédio”. Um dos casos “é o de Maria*, que ocorreu na Residência Lloyd, e outro ocorreu no próprio campus de Gualtar da Universidade do Minho (UMinho)”, esclareceu a estudante da universidade.
“Após estes dois casos, começaram a surgir imensos relatos de assédio moral e assédio físico, relatos com mais de dez anos. Isto, indignou-nos ainda mais, levando-nos a recorrer a este movimento”, explicou Carlota da Silva. A “Manifestação pela Eliminação do Assédio na UMinho” vai contar com uma arruada até à reitoria da Universidade do Minho.
Reforçar a segurança, o patrulhamento e a iluminação dentro dos campi são algumas das reivindicações do movimento. A iniciativa pretende ainda “que docentes e funcionários da Universidade tenham formações de prevenção e combate ao assédio”. O movimento reivindica “a revisão e aprimoramento do Código de Conduta e Ética, para que inclua a definição do conceito de Assédio e caracterização das suas diferentes dimensões, indo de encontro ao que existe noutras universidades; a criação de campanhas de sensibilização relacionadas a esta temática dirigidas aos alunos; que as denúncias de assédio possam ser dirigidas a um Gabinete independente conduzido por trabalhadores com conhecimentos especializados na prática da prevenção e resolução desta problemática e que os procedimentos desencadeados por uma denúncia sejam transparentes; que o gabinete também ceda opções de acompanhamento e apoio psicológico, gratuito, às vítimas”.
De acordo com Carlota da Silva, o “movimento é feito por estudantes para estudantes”. Os estudantes da academia minhota podem aceder grupo às informações do movimento na página de Instagram criada para a manifestação. “Todos os alunos podem ajudar na organização do movimento e apelamos ao comparecimento de todos os discentes e docentes. Os alunos que não consigam comparecer na arruada são convidados a utilizar peças de roupa preta no dia dos protestos e, aqueles que entenderem trajar de luto, podem fazê-lo, como ato simbólico”, acrescentou.
A manifestação surge como o “primeiro passo para uma mudança necessária”. “Esperamos conseguir, com isto uma resposta às nossas reivindicações. Estamos preparados para continuar a lutar por aquilo em que acreditamos”, reforçou a estudante.
Para Carlota da Silva, impedir o esquecimento e o silenciamento do assunto é “um grande desafio” que tem pela frente. No entanto, “tudo isto começou com o silêncio e aquilo que pretendemos é diálogo aberto”, esclareceu. “Os alunos construíram este movimento em conjunto, todos identificamos os problemas e, de seguida, estabeleceram reivindicações específicas. Não pretendemos silenciar-nos até que estas sejam ouvidas e postas em prática”.


