A lista M candidata-se à direção da AAUM com o mote "Move-te pela Mudança".

As eleições para os órgãos sociais da Associação Académica da Universidade do Minho (AAUM) decorrem na próxima terça-feira, dia 7 de dezembro. Lucas Rodrigues cabecilha a lista M na corrida à presidência da direção. O estudante de mestrado anunciou a sua candidatura no dia 9 de novembro. O ComUM esteve à conversa com o candidato para saber mais sobre os objetivos e a visão da lista.

ComUM –  O que motivou a tua candidatura?

Lucas Rodrigues –  Este projeto, em primeiro lugar, não foi só construído por mim, mas por uma equipa constituída por membros que já, direta ou indiretamente, estiveram associados à AAUM. Identificamos pontos negativos na atual Associação, nomeadamente, a falta de transparência, de comunicação e organização. Tivemos há pouco tempo a latada, que foi muito mal gerida. E temos a questão dos colaboradores que não está a ser gerida da melhor forma. Temos a ideia de que muitos colaboradores se associam à AAUM à procura de uma posição no ano seguinte. Todos estes pontos levaram-nos a avançar com a candidatura. Posteriormente, identificamos áreas mais específicas, como a sustentabilidade, o desporto, a sociedade e a igualdade, e a questão do recreativo, como pontos que a associação não desenvolveu da melhor forma. Estes pontos estão presentes no nosso plano, com ideias concretas, e vão ser realizados, se formos eleitos.

Á parte das outras listas que já foram anunciadas, nós não nos vamos concentrar somente em ideias que devem começar avançar ou em ideias que vão levar o seu tempo a serem construídas. Para já, para um ano, queremo-nos focar em ideias concretas.

ComUM –  Quais são essas ideias concretas que querem ver implementadas? 

Lucas Rodrigues – Relativamente ao desporto, nós defendemos que o modelo adotado pela Universidade do Minho (UMinho) não é o melhor. É um modelo que garante prémios, é um modelo que faz a UMinho distinguir-se de outras associações. Contudo, é um modelo que não envolve toda a comunidade estudantil. Um estudante da UMinho, se quiser participar numa equipa de desporto, não tem esse acesso, porque existem protocolos com outras equipas que limitam muito a comunidade estudantil a envolver-se no desporto.

Ao nível da sociedade e da igualdade, fizemos uma abordagem a 52 mandatários de 52 cursos diferentes e 80% destes concordaram que a AAUM não partilha as informações corretamente. Queremos focar-nos muito no voluntariado e incentivar os alunos a participarem em iniciativas de voluntariado.

No que diz respeito às tradições e culturas, sentimos uma AAUM que não valoriza devidamente as tradições que existem na universidade. O primordial é a praxe. Claro que há pessoas que são a favor e há pessoas que são contra e nós temos de respeitar os dois lados. Contudo, temos de dar o apoio necessário a qualquer tipo de tradição. E a AAUM carece muito disso.

Ao nível da sustentabilidade, em qualquer campus, temos de nos deslocar muito para chegarmos a um ecoponto. Além disso, a universidade carece muito de energias renováveis. Claro que o investimento inicial seria muito avultoso, mas o retorno seria ainda maior nos anos seguintes. Existem também muitas falhas nas estruturas: ao investirmos nelas, estamos a investir na sustentabilidade.

ComUM –  Que elementos é que compõem a lista M? 

Lucas Rodrigues – Quando construímos a equipa, focamo-nos em desenvolver perfis para determinados departamentos. Estes perfis são essenciais porque conseguem reconhecer realidades e conseguem colmatar as falhas existentes na comunidade. Nós focamo-nos em trazer pessoas preparadas para assumir o cargo adequado. Se forem ver, por exemplo, a Lista A, que se está a candidatar, não há isso. Se formos comparar a lista do ano passado com a lista este ano, temos pessoas em departamentos diferentes e que não se relacionam. Nós não somos assim. Temos pessoas preparadas e focadas em áreas concretas.

ComUM – Existem três listas a concorrer à direção. Como é que a lista M se distingue das restantes? 

Neste ano, temos mais uma lista, a Lista P, que não deixa de ser continuidade da Lista X do ano passado. Nós acreditamos que já identificamos problemas da Lista A. Acreditamos que a Lista P tem boas ideias, mas são ideias que não são possíveis de serem realizadas num ano e a lista carece de ideias para diferentes áreas. Nós focamo-nos em diversas áreas e não conseguimos ver isto na Lista P.

ComUM – As eleições estão marcadas para dia 7 de dezembro. Acreditas que este ano vamos voltar a ter números elevados de abstenção?

Lucas Rodrigues – Eu acredito que acima de tudo é positivo para a Universidade existirem três listas, porque é uma forma de debatermos melhores ideias e uma forma de nos elevarmos uns aos outros para trazermos mais o debate entre listas. Há dois anos, a abstenção esteve à volta dos 80% e só existiu uma lista. No ano passado, houve duas listas e a abstenção diminuiu. Em RGA, foi dito que o que diminui a abstenção foi o voto eletrónico. Como é obvio não conseguimos avaliar isso uma vez que existem variâncias que mudaram de um ano para o outro. Este ano, se seguirmos o mesmo rumo, a abstenção vai diminuir ainda mais.

O calendário não é o melhor. As listas tiveram muito pouco tempo para se preparar, no que diz respeito ao plano eleitoral. Ainda não existiam datas e era difícil prevermos o que íamos fazer nos dias concretos. No entanto, há a sensação de que há uma lista que parte claramente em vantagem. Mas nós vamos à luta.

Eu quero fazer um apelo à comunidade: votem em peso, porque a Associação Académica não pode ser uma associação que representa apenas 20% dos alunos. Não nos podemos esquecer dos outros 80% dos alunos que não foram votar. Qualquer que seja a lista, leiam os três manifestos, pensem, conheçam as listas a fundo e não escolham com base em afinidades.

Entrevista por: Joana Oliveira e Maria Francisca Barros

Artigo escrito por: Ana Margarida Alves

Multimédia: Soraia Santo e Joana Oliveira