Conduzido pelo extraordinário Steven Spielberg a nova adaptação cinematográfica do filme musical West Side Story, de 1957, traz um novo ânimo ao drama amoroso do século XX. Assim, o que poderia ser uma suplantação aborrecia da obra original, torna-se numa versão refinada e surpreendente.

A reencenação dos clássicos é já tradição dos principais cinemas de todo o mundo e West Side Story não é exceção. O filme inspira-se vagamente na história trágica de Romeu e Julieta, através da rivalidade existente entre os Jets, os caucasianos, e os Sharks, os latinos como “familiares” dos protagonistas Tony e Maria.

Essa ideia do fruto proibido e de um amor impossível percorre toda a narrativa. Porém, surge num formato atual a que acrescem outras vertentes da realidade social, como os preconceitos existentes relativamente à etnicidade, mais concretamente, à comunidade latina na América. Deste modo, podemos ver fielmente representada a realidade das minorias e na generalidade da classe trabalhadora.

Apesar do contexto formal e depreciativo da obra, das divergências dos gangues Jets e Sharks e, do confronto com a realidade repressora da época, a longa-metragem consegue apelar ao cómico no que seriam situações extremamente perturbadoras. Isto é concebido devido à brilhante fusão da musicalidade teatral em momentos de tensão, e o facto destes confrontos entre as diferentes étnicas se dar, maioritariamente na pista de dança cria todo um clima emocionante.

Em todas as cenas, somos contemplados com uma canção e passos de dança que representada o estado de espírito das personagens, como se fossem a sua única forma de expressão. Esta sensação da musicalidade como intrínseca ao ser humano faz com que a peça não se torne exaustiva, mantendo a atenção do espetador.

Se, por um lado podemos falar de um certo exagero em termos de composição de imagem e uma repetição do estilo musical que poderia ter sofrido algumas alterações, esses aspetos são rapidamente mascarados pelos toques subtis que tornam mais vibrante e contemporânea esta obra. Posto insto, aspetos como os figurinos, a interpretação e a composição do elenco foram imprescindíveis para a qualidade oferecida durante todo o filme.

Outro aspeto que é particularmente interessante é a construção das personagens e como estas se desenvolvem consoante os acontecimentos, tornando-as mais reais e humanas. A maneira como cada uma personifica um tipo de mentalidade e personalidade paralisa no tempo a vertente apelativa deste musical tornando-a universal.

Em suma, através do amor West Side Story transmite a ideia de que o que nos une é mais forte do que o que nos separa. As diferenças não são motivo de intolerância, muito pelo contrário, são elas que atribuem significado à existência. Deste modo, podemos, através da nostalgia e de toda a estética vintage da época, ter uma experiência bastante completa tanto a nível pessoal como intelectual.