A banda de indie rock natural de Braga e Barcelos lançou o seu primeiro EP no início do ano.

O quinteto composto por Diogo Silva, Tiago Ferreira, Tiago Marques, Rita Roselho e Gabriela Barbosa – os Sand Wish – lançaram no dia 9 de janeiro o seu primeiro EP,  Just The Start” (2022). A banda, que se assume como apreciadora de umas boas sandes e um projeto cheio de desejos, que nunca deixa escapar por entre os dedos, contou ao ComUM um pouco do seu percurso, a identidade do seu primeiro álbum e as surpresas que ainda estão por vir.

ComUM – Quem são os Sand Wish?

A banda de indie rock Sand Wish foi fundada no início de 2019, por Diogo Silva. Mais tarde, Tiago Ferreira e Tiago Marques juntaram-se ao projeto. A ânsia de produzir músicas originais levou-os aos palcos bracarenses e barcelenses. Com os tempos mudam-se as vontades. No entanto, os Sand Wish não mudaram as suas. Na verdade, a família cresceu, com a baixista Rita Roselho e a teclista Gabriela Barbosa.

ComUM – Os Sand Wish são apreciadores de umas boas sandes ou uma banda cheia de desejos, que, por vezes, aparentam escapar por entre os dedos?

(Por entre risos) Sem dúvida que somos apreciadores de umas boas sandes, mas desejos a escapar por entre os dedos nunca. Temos bem a noção do patamar ainda inicial em que nos encontramos, mas, ao mesmo tempo, ambicionamos melhorar cada vez mais o material que apresentamos e, quem sabe um dia, ter o sucesso que cada um de nós sonha.

ComUM – Podem contar um pouco da história dos Sand Wish?

A banda começou um pouco do nada, ou seja, não foi uma coisa que tivesse planeada. Basicamente, o Silvas (Diogo Silva) andava à procura de um vocalista para um outro projeto que ele fazia parte e, nessas buscas, acabou por conhecer o Tiago (Ferreira), a partir de um cover que ele tinha publicado nas redes sociais. Como os restantes membros da outra banda não se tinham identificado com a voz dele, acabamos por nos juntar e começar a compor as primeiras músicas.

Mais tarde, como já queríamos avançar um pouco mais e tentar dar uma forma ao grupo, chamamos para tocar connosco o (Tiago) Marques e foi assim que começamos realmente a agir como banda. Demos os primeiros concertos apenas como trio, até chegarmos ao ponto em que decidimos realmente focar-nos no lançamento do nosso primeiro projeto. Nesse espaço de tempo em que nos preparávamos para gravar o EP, juntaram-se a nós a Rita e a Gabriela, porque sentimos que só assim faria sentido explorarmos o nosso material da maneira que era merecido. Infelizmente, a pandemia atrasou-nos muito o processo de gravação, mas finalmente conseguimos produzir o nosso primeiro EP e estamos orgulhosos disso.

“Uma coisa que temos no nosso ADN é o facto de gostarmos de experimentar novos estilos e variantes”

ComUM – Por entre a multiplicidade de géneros musicais, optaram pelo Indie Rock. O porquê desta escolha?

Desde o começo que conseguimos ter uma noção do tipo de som que queríamos fazer – baseado nas nossas inspirações, como os Arctic Monkeys. Então, foi fácil enquadrarmo-nos nesse género. Outro motivo pelo qual nos consideramos uma banda de indie rock é porque somos uma banda independente, embora esta classificação não nos diga assim tanto, porque uma coisa que temos no nosso ADN é o facto de gostarmos de experimentar novos estilos e variantes.

 ComUM – As músicas até então lançadas são todas em inglês. Dizem que “A língua inglesa fica sempre bem / E nunca atraiçoa ninguém”. Sentem que há espaço para música nacional em inglês em Portugal?

Há espaço, não só para a lírica inglesa (ou de outros idiomas), como também para qualquer estilo em Portugal. O nosso objetivo é apresentar uma identidade própria não só através das letras como do estilo que seguimos.

ComUM – No dia 9 de janeiro, apresentaram a vossa identidade ao mundo, com “Just the Start”.  Como é que definiriam o EP e, consequentemente, a vossa identidade?

Esta é uma questão controversa (risos), porque, embora com este EP tenhamos apresentado parte da nossa identidade, o nosso som, acabamos, ao mesmo tempo, por não ter uma identidade sonora definida. Tal como falamos antes, somos uma banda que gosta de experimentar coisas diferentes. Mas, em relação a este EP, nós tentamos que ele ficasse o mais dentro possível das origens da banda, tentámos que ficasse muito como as nossas primeiras inspirações. Daqui para a frente, tentaremos focar-nos mais num só estilo em cada trabalho que lançamos.

“A banda, de uma forma geral, tem um grande carinho pela “Farewell” e o motivo é que a simplicidade dessa música faz com que seja perfeita”

ComUM – O EP é composto por seis composições – “Just the Start”, “The West”, “The Rise of the Fall”, “Chelsea Smile”, “Farewell” e “Nautic Leather Shoes”. Pelo menos, uma música ficará de fora, mas qual é a preferida de cada um dos elementos da banda? O porquê das escolhas?

A banda, de uma forma geral, tem um grande carinho pela “Farewell”  e o motivo é que a simplicidade dessa música faz com que seja perfeita. Mas, além dessa, temos como preferida da Rita a “Just The Start”, porque, além de ser a música com a qual ela mais se identifica, é o que define o começo e o desejo de chegar mais longe. A “The Rise Of The Fall”  é uma das preferidas da Gabriela, uma vez que é uma música bastante forte e transmite uma mensagem que está à altura da grandeza do instrumental. E, por fim, a “Nautic Leather Shoes” é a preferida do Silvas, principalmente, porque foi das primeiras composições que foram feitas para a banda, então acaba por ter um significado diferente.

ComUM – Antes de lançarem o EP, optaram por dar a conhecer dois singles – “The West” e “Chelsea Smile”. O porquê dessa escolha?

Inicialmente, iria ser apenas a “The West” a ser lançada, uma vez que era a música que nós achávamos mais forte e até mesmo a mais complexa, mas acabamos por sentir que precisávamos de mostrar uma outra face da banda, sem ser apenas o rock da “The West”. Assim sendo, lançamos a “Chelsea Smile”, uma música mais acelerada, mais curta, direta e achamos que foi uma boa decisão, já que recebemos críticas bastante positivas da mesma.

ComUM – Neste momento, a única composição com videoclipe é, precisamente, “The West”. Haverá surpresas para breve?

Sim, haverá algumas surpresas, não só relacionadas a videoclipes, mas com o EP em geral.

ComUM – O autor da capa e contracapa foi João Rodrigues. O porquê da escolha deste artista e deste tipo de arte?

Primeiramente, gostávamos de deixar um enorme obrigado para o Joca (João Rodrigues), que fez todas as nossas capas, tanto do EP como dos singles, fez um trabalho fantástico.

Nós queríamos muito que a capa do nosso EP fosse algo de “diferente” e o Joca, sendo amigo do Silvas e também companheiro de outra banda, deu-nos a conhecer o seu trabalho com Digital Collage e, quando vimos os seus trabalhos, percebemos que era exatamente aquilo que queríamos para a imagem deste primeiro projeto.

Aproveitamos, também, para fazer um agradecimento à Teresa Miranda, que não nos ajudou com o design da capa, mas sim com a letra da “Chelsea Smile”! A letra do single é totalmente dela e foi uma colaboração que sentimos que resultou muito bem!

ComUM – Quem olha para a capa do vosso EP pode ver uma plateia imensa, um “campo” de xadrez, um avião em pleno voo, que cruza a lua, que, por sua vez, é abraçada por nuvens de fumo. Quais são os significados por trás dos elementos escolhidos?

A capa tem como plano principal o “campo” de xadrez e a plateia que fazem referência à faixa título do E.P, “Just The Start”, o avião refere-se à música “Farewell”, mas tem muitos elementos que só fazem sentido ouvindo as músicas, então vamos deixar algum suspense aqui, assim, quem tiver curiosidade, pode ir ouvir o nosso EP.

ComUM – Como afirmaram, “Just the Start” é, “como o próprio título diz, apenas o início, o início de uma longa viagem que promete não ficar por aqui”. Com o ano a começar, o que podemos, ainda, esperar dos Sand Wish?

Este ano, para nós, já começou da melhor maneira com este lançamento do EP, mas podemos adiantar que não iremos parar por aqui. Ainda é muito cedo para abordarmos publicamente novos projetos, mas é nosso desejo lançarmos mais material ainda em 2022 e já estamos a trabalhar para que tal aconteça.

Este é o Just the Start dos Sand Wish. Seis composições, um universo por descobrir. Por entre a exploração de líricas e instrumentais, propomo-nos a encontrar os significados escondidos pelos elementos que compõem a capa e contra-capa do EP. Até que 2022 nos traga mais novidades da banda, temos tempo para ouvir com atenção.