A banda brasileira Lagum lançou o seu terceiro álbum de estúdio, MEMÓRIAS (de onde eu nunca fui), a 10 de dezembro de 2021. O quarteto produziu o álbum como uma homenagem ao amigo e ex-integrante da banda, que faleceu em setembro de 2020. Assim, e como o nome indica, o disco fala sobre memórias e sonhos, passando por fortes reflexões sobre a importância da vida.

Inicialmente este novo projeto ia ser lançado em julho de 2020, contudo teve de ser adiado devido à atual pandemia e, com isto, foi praticamente reconstruído em meio a tantos novos acontecimentos na vida dos integrantes, como a morte de um dos membros. MEMÓRIAS (de onde eu nunca fui) conta, agora, com dez faixas das quais cinco são singles. Os músicos contaram, ainda, com a participação dos conhecidos artistas brasileiros Emicida, L7NNON e Mart´nália.

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“NINGUÉM ME ENSINOU” é o primeiro single e, também, a faixa que dá início ao álbum. A música e o videoclipe foram dedicados na íntegra ao falecido integrante, Breno Braga, ou Tio Wilson como era apelidado. Tanto o videoclipe como a letra são feitas exclusivamente a pensar em Tio Wilson e aqui celebra-se a existência da vida ao mesmo tempo que se reflete a sua efemeridade, daí a mensagem constante de aproveitar cada momento como se fosse o último. No videoclipe, os primeiros 50 segundos contam com a voz do falecido baterista, através de áudios que o mesmo enviou aos companheiros e, os minutos restantes, dão lugar a momentos onde o grupo relembra velhos momentos e onde membros da família de Breno aparecem reunidos.

Apesar da carga negativa e triste que a música poderia ter, o grupo não deixou que assim fosse, não se tratando de um luto, mas sim de um grito pela vida. “NINGUÉM ME ENSINOU” acompanha memórias de boa disposição do artista. Contamos com ritmos rápidos e energéticos da bateria tocada pelo ex-membro e com uma letra tocante onde o vocalista da banda canta “Tenho vinte e tantos planos pra antes dos trinta anos, alguém diz pra onde vamos, tenho pressa de existir”.

Já o segundo single do álbum encontra-se na sétima posição na lista das faixas e chama-se “MUSA DO INVERNO”. Tal como o próprio nome indica esta musa é o oposto da já conhecida “Musa do Verão” de autoria de Felipe Dylon. Na versão mais gélida, Lagum falam de um amor que não tem lugar na época de praia ou calor e de uma rapariga que prefere ficar debaixo do cobertor a ter os pés na areia. A produção do videoclipe foi claramente pensada para ser divertida e fora da caixa e conta com a participação especial do cantor Felipe Dylon.

A composição “EU E MINHAS PARANOIAS” é o terceiro single do álbum. Melodicamente, o grupo rematou com acordes rápidos e intensos de guitarra e batidas de baterias frenéticas. Liricamente, e pelo contrário, não há a necessidade de chamar a atenção com uma letra complexa ou diversificada, sendo por isso repetidos os mesmos versos várias vezes. Esta música relembra, não só os trabalhos antigos que o grupo já produziu, como também os hits que tiveram maior sucesso nacional e internacional nos anos 90, sendo o próprio videoclipe um exemplo desse lado mais old-school.

O single seguinte conjuga os versos do rapper L7NNON com a voz da cantora e compositora Mart´nalia. A faixa é “EITA MENINA” e nesta os músicos falam sobre o amor de uma forma mais escaldante e intimista, com a menina que é “um presente de Deus”. O seu ritmo é, contrariamente às anteriores faixas, muito mais calmo, porém há uma aceleração da instrumentalização na parte do rap de L7NNON. Da mesma forma, “PLAYGROUND”, que vem logo a seguir, é também uma música que serve uma espécie de jogos de palavras, mas para dar a entender o mesmo tema.

“DESCOBRIDOR” corresponde ao último single composto pelo quarteto e tem aqui a participação especial do rapper brasileiro Emicida. A letra remete para o destino e para as memórias do passado, que são importantes mas que não definem o presente nem o futuro. O vocalista afirma isso mesmo, através do verso “Sem bússola ou mapa, continuo a navegar (…) Não teria graça se soubesse onde ia dar”. A batida é suave e relaxante, acompanhada pela voz doce de Pedro Calais, que canta repetidamente “Laraialaia, laraialaia”. É de salientar que a composição do Emicida deu, sem dúvida, um toque mais poético a “DESCOBRIDOR”.

Para não acharmos que todo o álbum fala do mesmo, podemos ouvir “VEJA BABY”, “EU TE AMO” e “NÃO VOU FALAR DE AMOR” que, apesar de serem músicas distintas têm, no fundo, a mesma linguagem: o amor. E, por fim, para encerrar com chave de ouro, os artistas apresentam “FESTA JOVEM” que, apesar de não ser um single, continua a ser uma ótima composição, com uma mensagem poderosa para dar fim a todos os anteriores capítulos.

Assim, mais calmo, maduro e reflexivo, o grupo brasileiro Lagum regressa com um álbum repleto de sons que não diferem muito uns dos outros, tanto em termos de ritmo como na mensagem passada. No entanto, dão total prioridade à vida, ao amor, e às boas memórias. Com este trabalho os jovens artistas prestam tributo ao baterista e amigo de longa data, ao mesmo tempo que mostram aqueles que são os seus propósitos da vida: o de celebrar a leveza e positividade.