Emily Margaret Watson nasceu a 14 de janeiro de 1967. Mestre em Literatura Inglesa, nunca abandonou o sonho de se tornar atriz. Com várias peças teatrais na bagagem, Watson acumulou, até aos dias de hoje, cerca de setenta trabalhos no pequeno e grande ecrã. Com filmagens a meio gás e rumores de novos projetos, o número irá, com certeza, aumentar. Esta sexta-feira a atriz britânica completa 55 primaveras.

Chegou a candidatar-se para entrar numa escola de teatro, mas o seu desejo foi rejeitado. De qualquer das formas, Watson não deixou que a rejeição abalasse a sua vontade de se tornar atriz.  Já fora da universidade, explorou o mundo dos palcos. Tudo começou com a companhia Royal Shakespeare, no início dos anos 90. Conciliou o trabalho de escritório com atuações em peças, como All Well That Ends Well e The Taming of the Shrew. Além da companhia Royal Shakespeare, passou pela Join Theatre Company, o Lyric Theatre, o White Bear Theatre e o National Theatre. Olhando para a totalidade das suas performances teatrais, Watson atuou em dezenas de peças em teatros por toda a Inglaterra.

No pequeno ecrã, Emily Watson estreou-se na série televisiva Performance (1991 – 1998). No episódio Summer Day’s Dream (1994) deu vida a Rosalie. Na produção de J. B. Priestley, a atriz pode trabalhar lado a lado de John Gielgud, Terence Rigby, Rosemary Harris, Mike McShane e Vincent Wong.

No mesmo ano, 1994, altura em que a rádio ainda criava imaginários através da simples (e, por vezes, tão complexa) voz, a BBC Radio 4 transmitiu uma adaptação do romance The Wolves of Willoughby Chase, com Emily Watson no papel de Sylvia. No ano seguinte, a atriz permaneceu pelos meios radiofónicos, com Isabella Linton, na série Wuthering Heights. A proeza só se voltou a repetir em 2010, com The Glass Piano.

Em 1996, a artista participou no filme Ondas da Paixão. No filme, que envolve diversas fronteiras, deu vida a Bess McNeill, uma jovem escocesa que, no passado, foi submetida a um tratamento psiquiátrico questionável. A produção cinematográfica venceu quarenta e quatro prémios.

Já, em 1997, fez parte do telefilme The Mill on the Floss e das longas-metragens Metroland e O Boxeur. Enquanto Maggie Tulliver, traz-nos um amor proibido. De seguida, com Marion, conta-nos a história de um casamento pacífico que, em breves momentos, sofre uma reviravolta. Aparentemente, em 1997, Watson não se desviou das aventuras de amores e desamores – desta vez e por fim, Maggie é uma mulher casada com um homem aprisionado pelo Exército Republicano Irlandês.

Em 1998, em Hilary e Jackie, a atriz interpretou Jackie du Pré. Na verdade, a trágica história da violoncelista clássica de renome mundial acaba por ser contada do ponto de vista de sua irmã, a flautista Hilary du Pré-Finzi. No ano seguinte, a artista reservou aos seus fãs as participações nos filmes América – Anos 30 e As Cinzas de Ângela. De Olive Stanton, uma aspirante cantora, passou a Angela McCourt, uma mãe que procurava, acima de tudo, trazer boas condições para a sua família. Da primeira produção ficamos, ainda, com a sua interpretação da música “Molly ‘s Song”.

Nos primeiros meses da década de 2000, contamos com Trixie e The Luzhin Defence.  Nos quatro anos seguintes, seguiram-se as performances em Gosford Park (2001), Embriagado de Amor e Dragão Vermelho (2002) e Back to Gaya – Pequenos Heróis e Eu, Peter Sellers (2004). Quatro anos, sete participações e a exploração de quase todos os géneros cinematográficos. Todas as produções contaram com uma pitada de drama, a partir daí, Emily Watson explorou a comédia, o mistério, o thriller, a ação, entre outros géneros.

Por Gosford Park venceu cinco prémios de elenco e por Dragão Vermelho venceu o London Film Critics’ Award para Melhor Atriz Secundária Britânica do Ano. Na verdade, 2004 foi, também, o ano de estreia de Watson a dar voz a uma personagem de um filme de animação. Na versão em inglês de Back to Gaya, passou por Alanta, uma princesa que se queria afastar da realeza e que, como muitos já constataram, parece uma versão off brand de Lara Croft.

Nos dez anos seguintes, Emily Watson fez parte de quase trinta projetos. Da panóplia de produções completamente distintas, destacam-se Appropriate Adult (2011), onde a interpretação de Janet Leach lhe garantiu um BAFTA, e o telefilme A Song for Jenny (2015). Enquanto Julie Nicholson recebeu inúmeros elogios e os especialistas apontavam-na para vencer o Prémio de Melhor Atriz de Televisão da British Academy. Neste mesmo período de tempo, Watson considerou o seu papel de Evgenia Ginzburg, em Within the Whirlwind (2009), um dos seus melhores trabalhos dos últimos tempos. No entanto, o público não achou o mesmo.

Em 2017, participou numa dúzia de séries e filmes – Apple Tree Yard, Genius e Little Women. A primeira série fez com que ficasse nomeada para um Emmy Award de Melhor Performance de uma Atriz. Um ano mais tarde, Emily Watson enveredou apenas por dois projetos: The Happy Prince e King Lear. No ano 2019, retomou os tempos gloriosos, fazendo parte da série Chernobyl. No projeto, onde protagonizou Ulana Khomyuk, foi nomeada para cinco prémios distintos – um Primetime Emmy Award, um Golden Globe Award, um Critics’ Choice Television Award, um Screen Actors Guild Award e um Satellite Award para Melhor Atriz Secundária.

No ano passado, a atriz deu continuidade à sua Emma Wishbone em Um Susto de Família 2. Para além disso, passou pela minissérie Too Close, como a Drª Emma Robertson e como produtora executiva do projeto. Contudo, ainda há muito por vir. O drama psicológico God ‘s Creatures encontra-se, agora, em pós-produção. As filmagens de The Legend of Ochi e Midas Man encontram-se a meio gás.

Sendo assim, um drama psicológico, uma produção de animação do mundo do fantástico, um filme biográfico, um thriller, duas tragicomédias e a história de um casal que comemora 30 anos de matrimónio com uma viagem a Lisboa encontram-se já no forno. À espera que arrefeçam e que sejam apresentadas à mesa, resta-nos congratular Emily Watson pelo seu percurso e desejar-lhe um feliz aniversário.