James Eugene Carrey nasceu a 17 de janeiro de 1962. Lenda da comédia cinematográfica, o ator nunca retraiu o seu talento nato de fazer stand-up comedy. Constituindo-se como parte integrante e fundamental de várias obras de cinema e televisão, Carrey contribuiu veemente para o sucesso de algumas nos grandes e pequenos ecrãs. A sua extraordinária carreira, expandida a várias áreas artísticas, teve origem na panóplia de trabalhos que fez e dita, ainda, os que estão por vir. Nesta segunda-feira este homem plurifacetado completa o seu 60º aniversário.

Desde pequeno que tem um fascínio inexplicável pela comédia e, com apenas 10 anos, tentou a sua sorte para participar no programa The Carol Burnett Show. Já, naquela altura, os seus professores lhe reconheciam mérito e davam-lhe tempo para fazer encenações cómicas após as aulas. A sua habilidade gerou uma inabalada vontade de se apresentar em programas de TV e shows de comédia. Mas, foi no Yuk Yuk’s, clube de comédia em Toronto, que começou publicamente o seu trabalho. Um ano mais tarde, mudou-se para Los Angeles onde foi contratado por Rodney Dangerfiel para dar abertura aos seus shows.

Não se ficando por aí, virou a sua atenção para o mundo da representação. No início da década de 80 chegou a fazer audições para fazer parte do elenco de Saturday Night Live. Não foi selecionado. Contudo, não deixou que “a não seleção” lhe abalasse o sistema nervoso e a paixão de se tornar ator a fazer o que mais gosta – as pessoas rir.

Em 1981, nos grandes ecrãs, estreou-se no filme Uma Dupla de Insucesso, primeiro de muitos no seu trajeto profissional. Sendo pura coincidência ou não, Jim interpreta o papel de um lavador de pratos que sonha em se tornar comediante. Ao contrário de si, a personagem tem pouco sucesso no ramo. Quatro anos depois, protagonizou A Primeira Dentada (1985) e partilhou o palco com Lauren Hutton.

No pequeno ecrã, Jim Carrey fez parte da série televisiva americana In Living Color (1990 – 199+4). Nesta profução, o ator lançou-se no reconhecimento do público e dos grandes produtores. Aliás, no ano em que a série terminou o ator estreou-se em três grandes comédias de sucesso: Ace Ventura – Detective Animal, A Máscara e Doidos à Solta (1994). Neste último, formava dupla maravilha com Jeff Daniels.

Na mesma década, em 1995, o artista apareceu na longa-metragem Batman para Sempre e, deu de caras com a segunda obra de Ace Ventura em Ace Ventura em África. Um ano depois, marcou presença em O Melga, uma comédia de humor negro realizada por Bem Stiller. Não foi a sua melhor fase, sendo que a atenção dos telespectadores se centrou no suposto salário milionário e na má disposição da personagem, que contrastava com os demais papéis do ator. Mas, O Mentiroso Compulsivo veio dar volta à situação com o retorno da sua veia de comédia inicial.

The Truman Show – A Vida em Directo (1998) revolucionou os cinemas e, com ele, a estrela principal. Jim Carrey era o foco, interpretando Truman. A obra relata-nos a vida de Truman, que é filmada 24 horas por dia sem o seu conhecimento. Inclusive, a cidade em que a personagem vive não passa de um cenário manipulado pelo produtor executivo Christof, que tem como objetivo principal captar emoções reais. Toda esta realidade criada é bastante interessante, daí ser uma das obras cinematográficas em que mais admiramos o seu papel.

Em 1999, houve uma grande disputa pelo papel de Andy Kaufman em Homem na Lua. No entanto, o emblemático Jim Carrey foi o escolhido, devido ao seu reconhecimento e também à sua demonstração como tocador de bongó.

Continuando a usufruir e mostrar ao mundo o seu dom para a comédia, não descartou os papéis mais dramáticos. Destacando-se em 2004, quando fez parte do elenco do filme de sucesso O Despertar da Mente, que venceu o Óscar de Melhor Roteiro Original.

De seguida, cedeu a sua voz em Um Conto de Natal (2009). O seu papel seguinte foi em Eu Amo-te Phillip Morris (2009) e em Os Penguins do Sr. Popper (2011). Em 2013 cingiu-se aos papéis secundários em O Incrível Burt, Kick-Ass 2: Agora é a Doer e Que se Lixem as Notícias. 20 anos após a estreia de Doidos à Solta, sai a continuidade com Doidos à Solta, de Novo (2014).

Muito além destes seus feitos, Carrey reservou participações em documentários. Em Jim e Andy (2017) relata-nos a sua experiência em palco. Deu ainda vida ao ermitão na obra cinematográfica The Bad Batch – Terra Sem Lei (2016). Em meados de 2016, num género completamente diferente ao que está acostumado interpreta em Crimes Sombrios a personagem de um polícia. Logo dois anos depois o ator estreia e co-produz a série Kidding (2018 – 2020), um programa infantil. Essa personagem conferiu-lhe uma indicação ao Globo de Ouro de Melhor Ator de Comédia numa Série de TV e de Melhor Série de TV, entre outras nomeações.

Já em 2020, mais próximo da atualidade, o artista ficou com o papel do vilão principal do filme Sonic – O Filme. E no ano passado, abriu ainda mais o seu leque de alcance artístico. Como colaborador do novo projeto do cantor The Weeknd na música “Phantom Regret”, onde dá voz a um locutor de rádio que narra esta experiência sonora.

Com um talento enigmático que Jim Carrey afigura, comédias até dizer chega, dramas, histórias e mais histórias, resta-nos acreditar que a idade seja apenas um número e que a sua carreira some muitos mais. Por isso, com toda uma ementa de dura e pura arte, cabe-nos a nós a espera para que este magnífico profissional nos possa congratular com mais obras de arte suas.