O grupo feminino sul-coreano EVERGLOW marcou o seu regresso com Return of The Girl. O EP de cinco faixas tem surpresas, mas, ainda assim, continua muito preso ao estilo de marca do grupo, os sons ligados ao EDM.

Back together” inicia o leque de músicas de uma forma calma, com um início quase próximo de uma balada. A melodia crescente conduz a um refrão único em termos melódicos e, em nada, parecido com o habitual por parte das coreanas. Este contraste é trabalhado de uma forma interessante e distinta, uma vez que faz com que a melodia suave do instrumental, na parte do refrão, seja memorável e bastante agradável.

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Segue-se, então, “Pirate”, cujo o refrão nos remete para um tipo de EDM viciante. Nesse aspeto, não há qualquer novidade, mantendo-se o grupo preso ao género que se tornou quase a sua assinatura. Além da pouca inovação, a letra parece não ter qualquer fio condutor, com frases soltas e com pouco sentido. Por outro lado, “Don’t Speak” revelou-se a melhor faixa do projeto. Mais próxima do K-pop do início dos anos 2010, esta teria sido uma track perfeita para o regresso e, consequentemente, traria a diversidade necessária à discografia do girl-group. Para mais, é esta faixa que nos traz o refrão viciante, que fica preso na cabeça e constantemente na ponta da língua.

Nighty night” acaba com a atmosfera leve criada por “Don’t Speak”, passando para uma melodia mais pesada e com a atenção mais voltada para o rap. As vozes anteriormente suaves desaparecem totalmente para dar resposta ao som forte do background. A melodia demasiado forte pode revelar-se um aspeto menos positivo, na medida que distrai a atenção das vozes, focando apenas no ruído forte dos instrumentos.

O acima referido acontece com “Company”, mais uma faixa upbeat que, num completo desequilíbrio entre rap, vocais e instrumental se torna apenas um conjunto de ruído, pouco agradável e cansativo. A diferença entre as duas últimas faixas e as restantes mostram, apesar de tudoo resto, a imensa versatilidade do girl-group sul-coreano.

Em suma, a maioria dos títulos não transmitem a essência das EVERGLOW como deviam, especialmente, “Nighty night” e “Company”. Quanto ao restante, é de destacar “Don’t Speak” pelo seu imenso potencial desperdiçado – talvez por medo de uma menor aceitação por parte do publico, já adaptado ao estilo tipicamente upbeat do grupo.