O bailado apresenta o conhecido conto clássico, optando por não seguir a história habitual.

“A Bela Adormecida” estreou em Portugal, na Casa das Artes, esta sexta-feira, dia 4 de fevereiro. Coreografada e escrita por Fábio Lopez, a peça, que se projeta como um “bailado”, explorou o clássico conto de fadas de um modo particular.

Com um cenário único e imutável, os 13 bailarinos revelaram a tão conhecida história de Aurora. No entanto, ao contrário do esperado, o bailado ostenta uma narrativa que difere da habitual e aprofunda pontualmente a mudança, a transformação, o género, o mal e o belo.

Sem diálogos, a música era quem guiava os acontecimentos do espetáculo e quem conduzia o espectador por entre os sentimentos que deveria sentir. As faixas clássicas apoderavam-se de toda a peça. Além da música embaladora, as cores eram responsáveis por determinar as mudanças de cenas, as evoluções de personagem e os estados de espírito.

De acordo com a ficha técnica da peça, depois de cair no sono profundo, Aurora tem de “interiorizar a sua autoimagem, consciente ou inconscientemente”, até despertar. “Na maioria dos contos, se a maldição inicial tivesse prevalecido, Aurora teria morrido. Em vez disso, ela permanece viva, numa espécie de estado de coma e de vigília”.

O sono protege a beleza da rapariga e faz com que a jovem permaneça entre dois mundos, o real e o inconsciente. “Aprisionando a heroína, reduzindo-a a um paradigma patriarcal perfeito, da mulher ideal, o sono também interrompe a sua adolescência, privando-a de alegrias e experiências juvenis. Este estado de coma induzido e inação, isola-a da sociedade e impede-a de aprender a lidar com as provações e tribulações do mundo real”, explica o texto. Assim, o social e o esperado do género determinam o que Aurora faz, “desde sua maldição, durante o seu sono em coma, até ao encontro com um príncipe”.

Tendo como mote a ideia de que “os contos de fadas partem da premissa de que a responsabilidade da feminilidade é um desafio que muitas mulheres desejam evitar”, o espetáculo aproveita para dar relevo a diferentes personagens e objetivos. Da mesma forma, revela a magia prevista por meios distintos.

A protagonista, Aurora, ganha forma com a performance de Alessandra De Maria. O príncipe Príncipe Florimond é trazido por Adrian Roman Ventura e a Carabosse surge a partir dos bailados de Alvaro Rodriguez Piñera.

O espetáculo, produzido no âmbito da Temporada Portugal-França 2022, está inserido no programa Saison Croisée, contando com o apoio do Ministério da Cultura Francês e o Ministério da Cultura Português. “A Bela Adormecida” volta a ser apresentada na Casa das Artes este sábado, dia 5 de fevereiro, pelas 21h30.