A Chave de Rebecca foi lançado em 1980 e consiste num exemplo brilhante do imenso espólio literário do autor britânico Ken Follett. Assim como tantas outras obras de arte, desde a literatura ao cinema, este livro transporta quem o lê para o “conturbado período da Segunda Guerra Mundial”.

A obra mantém o estilo de construção de narrativa de Ken Follett, visto que se inicia com várias histórias e personagens isoladas no espaço, mas que eventualmente acabam por se cruzar. Assim, é apresentado, em primeiro lugar, o espião alemão Alex Wolf, que atravessa o deserto (em missão) até ao Cairo. Implacável, sem escrúpulo, egocêntrico, assassino perfeito, o espião vai demonstrar-se uma peça essencial no jogo armado entre a Alemanha e os Aliados.

DR

Do outro lado da terra de ninguém (por assim dizer), encontra-se o major William Vandam, dos serviços secretos britânicos em operação na capital do Egito. Num certo dia de trabalho, em cima da sua secretária, o major depara com um relatório de um assassinato na cidade de Assiut. No início, não considera muito relevante e até pergunta o porquê do caso ter sido entregue aos Serviços de Informação. Todavia, rapidamente percebe que o assassinato não resultou de uma mera briga de rua, constituindo o início de uma autêntica caça às bruxas. O tal europeu que matou a sangue-frio um cabo era nada mais nada menos do que Alex Wolff.

Umas das personagens igualmente importantes no enredo de A Chave de Rebecca é a jovem Elene Fontana. Cansada de sobreviver à custa de amantes, Elene resolve fugir para a Palestina. No entanto, isso só é possível se “servir a causa” e ganhar o seu lugar nas cotas esguias de pessoas autorizadas a emigrar. Assim, a jovem vê-se no centro da linha de fogo, trabalhando como um peão de face dupla. Aterrorizada, Elene vai ter de seduzir Alex Wolff para conseguir informações valiosas sobre os planos do inimigo, de modo que os Aliados consigam vencer.

A obra destaca-se também pelo aspeto humano que ilumina as vítimas deste conflito, tendo como exemplo mais visível a personagem Elene, mas também o filho de Vandam. No meio da incerteza da guerra motivada pelas questões mais estúpidas de sempre (se me permitem aqui o comentário), as pessoas comuns do Cairo apenas se querem alhear do ataque iminente à cidade e viver a sua vida. Nada fizeram para que o conflito se iniciasse, mas são obrigadas a viver com e sobre essa constante.

Apesar de explorar um período da História que já constituiu de pano de fundo para muitas obras literárias (algumas bastante premiadas), A Chave de Rebecca é uma história absolutamente cativante em que nada é o que aparenta. Assim, a história dificilmente cai na monotonia, até porque numa cidade tumultuosa e epicentro da guerra entre adoradores do Führer e americanos são raros os momentos de pacatez.

Nisto tudo ficou por explicar o que significa “Rebecca” e como este nome se tornou uma chave central da história. Mas isso fica para os corajosos e corajosas que se atrevam a abrir este livro, repleto de códigos secretos, armadilhas e ciladas.