Gostam Todos da Mesma foi um dos primeiros filmes de Wes Anderson. Como no resto das suas obras, conhecemos personagens excêntricas, estórias mirabolantes e momentos enternecedores. Tudo isto vem, claramente, acompanhado de numerosos momentos de comédia genial.

Todos conhecemos alguém ambicioso que, no seu percurso académico, se preencheu de atividades extracurriculares. Clubes de teatro, de xadrez, de astronomia, de debates, tudo e mais alguma coisa. Desta forma, é precisamente esse o caso de Max Fischer (Jason Scwartzman), um aluno de 15 anos da Academia de Rushmore, que pretende ingressar em Oxford. Porém, Max tem mais uma característica a adicionar ao seu currículo. Além de todas as atividades, ele é, igualmente, o pior aluno da escola.

Por ser um rapaz particularmente peculiar, Max não tem um grande grupo de amigos. Este facto leva-o a iniciar diversas conversas com adultos, principalmente com Miss Cross (Olivia Williams), por quem está extremamente apaixonado. Como demonstração do seu amor, o protagonista quer fazer um ato grandioso. Contudo, precisará de algum patrocínio financeiro. Em seu auxílio surge Herman Blume (Bill Murray), pai de um aluno da escola e disposto a ajudar Max. A amizade de Max e Herman vai de vento em popa, não fosse Herman ficar, também, extremamente apaixonado por Miss Cross.

Todos os projetos de Wes Anderson têm a sua marca bem definida. Ainda assim, Todos Gostam da Mesma é das primeiras obras do afamado realizador de As Crónicas de França (2021). Por este facto, nota-se que o seu género ainda se está a definir. As paletas de cores não são comparáveis com, por exemplo, Grand Budapest Hotel (2014), mas já é algo bastante próximo de The Royal Tenenbaums (2001). Ainda assim, a cinematografia é dos aspetos mais bem conseguidos desta longa-metragem.

Ainda dentro do que é do estilo do realizador, temos alguns dos seus atores mais recorrentes: Jason Schwartzman e Bill Murray. Anderson respeita bastante a regra de não mudar aquilo que resulta. Há algo nos diálogos peculiares, nas atitudes adultas em crianças e nas atitudes infantis em adultos e nos temas geralmente eleitos que resulta num perfect-match com Schartzman e Murray. O mesmo podemos dizer de Willem Dafoe, Adrien Brody e Owen Wilson, mas que ainda não se encontram nesta longa, à exceção do último enquanto argumentista.

O enredo é, também, um dos pontos mais fortes. Os temas recorrentes do amor, da família e da descoberta, alicerçados a uma enormíssima carga de nostalgia e de humor, fazem deste filme um must para dias em que precisamos de conforto, energia e uma ou outra gargalhada. Ademais, a sonoplastia e banda sonora ajudam na perfeição ao ritmo que o resto pede.

Todos Gostam da Mesma é um filme bastante bom. As boas performances, cinematografia e guião permitem-nos momentos bastante agradáveis. Contudo, para quem conhece já outros projetos do realizador, é impossível não o comparar. Um projeto interessante para entrar no género tão particular de Anderson, nos seus temas e estilos, mas não a sua magnum-opus.