A 23 de novembro de 2009, Rihanna lançou o seu quarto álbum de estúdio, Rated R, uma compilação de sons característicos do final dos anos 2000. Com pop, R&B, rock e baladas como principais géneros da longa lista, é possível perceber a fenomenal versatilidade da cantora que hoje acumula tantos sucessos.

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Mad House” introduz o estilo obscuro que toma conta de parte do álbum, com um instrumental derivado do dubstep, característico dos finais dos anos 2000. Segue-se “Wait Your Turn”, uma das melhores músicas de todo o projeto. Com vocais impecáveis e sons fora do comum, totalmente diferentes do que estamos habituados a ouvir hoje, o tema carrega uma imensa nostalgia da época de então. O ritmo lento, apesar de ter ligações ao dubstep e ao hip-hop, é conjugado com a letra que compara o amor a um jogo entre dois.

Hard” é o terceiro título do álbum e, apesar de conhecido, não é o que a maioria do público associa ao projeto. A faixa apresenta uma ótima qualidade em termos vocais e, como uma boa colaboração pede, o rapde Jeezy encaixa perfeitamente com o instrumental. Os contributos do hip-hop e R&B continuam a encaixar no género da época. Em total oposição, surge “Stupid In Love”, uma balada R&B com um suave som de piano e uma letra extremamente emotiva. Aqui Rihanna conta a história de um relacionamento abusivo, tal como em tantas outras canções.

Pela forma como se diferencia das restantes faixas do álbum, a colaboração com o guitarrista Slash em “Rockstar 101” parece-me extremamente positiva e inovadora. Além dos géneros já explorados por Rihanna, o tema traz o rock e o dubstep. Mesmo que seja repetitiva, a letra é acompanhada pelo som intenso e cativante da guitarra do norte-americano, não permitindo que esse facto tenha um impacto negativo.

Russian Roulette”, uma das músicas mais conhecidas de Rihanna, é reconhecível logo pelos acordes da guitarra que a introduzem. O grande destaque vai, sem margem para dúvidas, para a performance da cantora, acompanhada pelo piano e guitarra no background, especialmente no refrão. A distinção na composição musical passa pela letra com significados profundos ligados, novamente, a um relacionamento amoroso conturbado.

Fire Bomb” é apresentada como uma balada com o piano como base, sendo acompanhado pela voz incrível a que estamos habituados. Contudo, o som pesado da guitarra acaba por desviar a atenção do ouvinte, tornando a experiência não tão agradável. Parece não se adequar às restantes músicas, que tão bem constituem o leque do álbum.

Rude Boy” é claramente uma das músicas mais icónicas de toda a carreira de Rihanna. Com uma letra capaz de ficar presa na cabeça de qualquer pessoa, associada a um ritmo upbeat, “Rude Boy” é, sem margem para dúvidas, um hit. Sublinhemos, também, a influência de diversos estilos musicais,  principalmente hip-hop, dancehall – tipicamente jamaicano – e pop.

Photographs” conta com a colaboração de Will.i.am (da banda The Black Eyed Peas) e é mais uma música que pouco se enquadra no conjunto que constitui o álbum. Além disso, o rap do artista masculino parece demasiado desadequado ao ritmo calmo que se baseia na narração do pouco que restava de um amor- as fotografias. “G4L”, por sua vez, a décima faixa, encontra-se, novamente, mais dentro do conceito obscuro, tendo um ritmo lento, ainda que traga a sua essência do pop.

Te Amo” é um total destaque por ser mais leve do que as restantes músicas. Não sendo cansativa, a reiteração de “Te Amo” fez com que a canção se tornasse mais uma marca da cantora. Apesar de não ser tão agressiva ao nível do instrumental, a canção complementa perfeitamente tudo o que veio antes e vem depois.

Cold Case Love”, é a décima segunda faixa e a mais longa, com uma duração total de seis minutos. Sendo uma das canções favoritas da cantora, dá para perceber a dedicação colocada em cada palavra envolvida na melodia do piano, violinos, baixo e alguns acordes de guitarra elétrica. Esta segue a mesma linha de história das faixas anteriores, contando o romance findado entre um casal, reflexo da vida da cantora à data e do seu relacionamento conturbado com Chris Brown.

“Cold Case Love” é totalmente afastada da sonoridade carismática do restante do álbum e é mais um ótimo destaque para os vocais de Rihanna. De forma semelhante, está a faixa que finaliza o projeto- “The Last Song”. Uma música emotiva, apesar de ter um ritmo mais acelerado, com o som da bateria a ser audível grande parte do tempo e a acompanhar a voz angelical. Também a guitarra desempenha um papel chave neste finalizar, tendo o seu próprio tempo para brilhar já perto do final.

Numa visão geral, “Rated R” é bastante inovador para a época, embora seja possível apontar algumas falhas que tornam a experiência auditiva menos agradável. O sentimentalismo transmitido pela voz única da cantora é, sem dúvida, algo positivo que se une perfeitamente às letras profundas e instrumentais escolhidos. Por fim, o conceito deste álbum é também todo ele adequado à imagem de Rihanna no final daquela década.