Portugal está abaixo da média nos apoios sociais, a nível europeu.

A Associação de Empresários pela Inclusão (EPIS) atribuiu, no último ano, 147 bolsas sociais a jovens estudantes, o que equivale a um total de 290 mil euros. O investimento constitui um aumento de 96% face a 2020 e de 171% quanto a 2019. Ainda assim, a EPIS pede apoio ao Governo e à sociedade civil.

Diogo Simões Pereira, diretor-geral da EPIS, declarou ao Diário de Notícias que “se Portugal quer apostar mais no ensino superior, devia apostar num maior investimento em apoios sociais.” No entanto, o “desafio também diz respeito à sociedade civil e em particular às empresas, que são as maiores beneficiadas pela qualificação”. O diretor elucidou que, de acordo com o relatório do estudo do “Estado da Educação 2019”, do Conselho Nacional de Educação, Portugal encontrava-se, nesse ano, no segundo escalão mais baixo (10% a 24,9%) na atribuição de bolsas de estudo, entre outros países europeus.

Segundo o responsável, os países nos escalões acima apostam mais em apoios sociais. Acrescentou que “neste momento, no nosso país, podemos estar a deixar alunos com mérito sem acesso ao Ensino Superior por falta de bolsas sociais”. Diogo Simões Pereira revelou que os candidatos a bolsas da EPIS para o ensino superior e mestrado são, em média, provenientes de famílias “menos carenciadas” do que os alunos do ensino secundário que pedem apoio. Explicou que é, sobretudo, a partir do segundo ciclo do Ensino Superior que as propinas “assumem uma despesa cada vez maior”. “Sem reforços dos apoios sociais para os alunos carenciados, vamos desperdiçar o talento de muitos jovens”, finalizou.

O objetivo principal da EPIS, neste momento, é aumentar a percentagem de adultos com o ensino superior. A associação defende “a igualdade de acesso para todos os jovens, em especial os que, tendo mérito académico, pertencem a famílias com menos capacidade económica para suportar três a cinco anos de investimento para um ou mais filhos, muitas vezes deslocados da sua residência”. A EPIS pretende alcançar o objetivo até 2030, acreditando ser esse o “grande motor para o elevador social funcionar mais e melhor em Portugal”.

O diretor lamentou que, durante a campanha para as eleições legislativas, “se tenha falado muito do SNS e pouco da escola pública”. Diogo Simões Pereira apontou para a falta de professores e para a necessidade de um “ciclo de rejuvenescimento da classe docente” como problemas que passaram despercebidos.

O programa de Bolsas Sociais da EPIS surgiu em 2011 e já garantiu apoio a 101 escolas e organizações, através da atribuição de 572 bolsas, totalizando o valor de 992 mil euros. O investimento contou com o apoio de 73 investidores e 154 parcerias.