Dois anos após o lançamento do seu último álbum, a banda de folk rock norte-americana The Lumineers regressa com Brightside para começar com o pé direito neste ano de 2022. Os membros Wesley Schultz e Jeremiah Fraites trouxeram um álbum curto, com apenas nove músicas, mas bastante otimista e promissor.
A obra musical contém hinos vibrantes e ocasionalmente ressonantes que são fáceis de agarrar, mesmo que um pouco simplificados. As faixas contêm, tanto alegria, como sinceridade, com composições brilhantes ao longo de todo o processo. Tal como a maior parte da sua discografia, a banda conquista o coração dos fãs e entrega o entusiasmo suave que sempre a caracterizou a si e às suas músicas.
Brightside traz de volta aquele otimismo exterior que faz com que as faixas possuam reconforto e cativação, mas, ainda assim, relembram os pontos maus da vida. O título do álbum em si é evidente, claro e espirituoso. “Where we are”, por sua vez, proporciona garantias tranquilizadoras (“I don’t know where we are/ But it will be okay“). O estilo talvez seja repetitivo, mas encaixa nesta banda que nunca se afastou de abraçar os seus gestos vazios.
“Never Really Mine” toca no coração de todos os românticos desesperançosos, tendo uma ligeira semelhança lírica com a música “August” de Taylor Swift. A letra, “Love was not designed for time / You were never really mine“, bem como “Hey don’t you fade, don’t you fade away,” representam um amor que nunca passou da fase inicial. A guitarra presente quase que nos dá a mesma dor que passou pela mente dos vocalistas.
Inspirada pelos Beatles, “Birthday” é, provavelmente, a canção mais cativante do álbum. Voltamos a ver uma certa repetição da letra, “It’s all right, it’s all right, it’s all right / It’s your birthday dear“, mas, como mencionado, é uma repetição adequada à personalidade dos The Lumineers. Na faixa que se segue, “Big Shot”, o vocalista Schultz optou por escrever uma reflexão de si próprio. O artista relembra o egoísmo que o preenchia e, juntamente com o piano como instrumento principal, torna-se numa das músicas mais íntimas do projeto.
Observamos outra performance incrível de Schultz em “Rollercoaster”, com o piano de fundo, novamente. É notória a procura de uma orientação espiritual dentro de uma série de vinhetas de história incisiva, mas perspicaz. O seu canto bruto e rouco beneficia a abordagem descendente da faixa e, tal como em “Big Shot”, acaba por ser mais eficaz e profunda nos ouvidos dos fãs.
Na última canção do álbum, “Reprise“, o duo traz de volta as suas raízes de rock e deixam um pouco de mistério para trás, do que parece ser uma conclusão em aberto do álbum. Há um certo questionamento da própria essência de estar vivo em tempos tão incertos, o que não é propriamente equivalente ao aconchego a que estamos habituados a ouvir. Mesmo que fechar o álbum desta forma não saiba a um todo, correlaciona-se com a tendência da banda para transmitir grandes ideias num pacote simples.
A maior parte das faixas desta obra são extremamente cativantes e têm a capacidade de ficar presas na nossa cabeça, especialmente com várias letras a serem fortemente repetidas. Esta repetição pode ser considerada um defeito e o facto de a banda tornar sempre os seus álbuns bastante curtos não ajuda. Enquanto conseguem fazer com que funcione para eles, seria interessante ver um álbum mais longo e conceptual no seu futuro.
Embora a banda tenha sido mais emotiva com as suas letras neste álbum, é inegável que “Brightside” precisava de um pouco mais para ultrapassar o hit de 2019. No geral, o álbum é bastante curto, mas bastante agradável e igualmente memorável. Observamos, assim, um álbum com bastante potencial, que joga pelo seguro e não se afasta das suas origens. Porém, poderia ser mais arriscado.
Artista: The Lumineers
Álbum: Brightside
Editora: Dualtone, Decca Records
Data de lançamento: 14 de janeiro de 2022



