A data pretende relembrar o papel da rádio, agora ameaçado pelas novas plataformas de áudio online.

Este domingo, dia 13 de fevereiro, celebra-se o Dia Mundial da Rádio. A data corresponde ao dia em que foi, pela primeira vez, emitido um programa em simultâneo em seis países, em 1946, pela United Nations Radio.

Aquele que começou por ser um dos mais importantes meios de comunicação de massa, encontra agora os desafios da modernidade. A rádio tem, ao longo dos últimos anos, vindo a perder força devido ao crescente aparecimento de novas tecnologias, redes sociais e, sobretudo, plataformas de áudio, como o Spotify ou o iTunes. Desse modo, o ComUM conversou com Tiago Barquinha Gonçalves, jornalista e locutor da Rádio Universitária do Minho (RUM), e com José Pedro Martins, coautor e participante no podcast “¾ de hora”, da júnior iniciativa ACE.

Tiago Barquinha Gonçalves acredita que a predominância da rádio continua a existir, uma vez que “toda a gente continua a andar de carro e transportes públicos e, por norma, aquilo que predomina é a rádio”. Apesar das alternativas, como playlists próprias, o locutor considera a rádio como a “primeira opção”, embora admita que, em casa, já não é tão ouvida como antigamente. “A grande missão da rádio, nesse sentido, é aproveitar essas plataformas digitais e redes sociais para maximizar a sua importância”, acrescenta.

O jornalista conta que o público pede cada vez mais o formato de podcast publicado em plataformas online. “As pessoas já não têm vontade de ouvir determinado programa àquela hora, porque sabem que têm a alternativa da colocação de programas em podcast”, explica. Tiago Barquinha Gonçalves afirma que esta é uma “diferença clara”, relativamente a anos antecedentes.

Num momento em que os podcasts ganham cada vez mais força, a junior iniciativa ACE, lança o seu podcast “¾ de hora”, que surge essencialmente da vontade de dar a conhecer a ACE. “O que nos motivou a criar o podcast foi a vontade de partilhar pontos de vista de assuntos que preocupam os estudantes aliado à vontade de dar a conhecer a ACE aos estudantes da universidade”, explica José Pedro Martins.

O estudante revela que, embora os podcasts percam a “magia do direto”, ganham pontos pela possibilidade do público poder escolher ouvir algo gravado há anos e “não estar preso” ao que a rádio está a transmitir no momento. Acrescenta que o podcast ganha cada vez mais audiência pelo facto de ser mais impessoal e sem censura.

Tiago Barquinha aponta a capacidade de transmitir informação “em tempo real” como umas das vantagens da rádio, sendo a versatilidade do tipo de conteúdos uma mais-valia. O jornalista confessa que, de acordo com a sua perceção, a RUM nota uma maior audiência de manhã e ao fim do dia, ou seja, “quando a maior parte das pessoas está a utilizar o carro, isto é, a ir e vir do trabalho”. Além disso, o locutor sublinha a importância da rádio em espaços fechados, como “fábricas e confeções” em que “a rádio é companhia”.

O coautor do podcast “¾ de hora”, entende a rádio e os podcasts online como formas distintas de comunicação e afirma que “a rádio é procurada sobretudo para música”. Acrescenta que os podcasts online ganham na medida em que, pelo elevado número de programas, existe também um elevado número de temas diversos que agradam diferentes públicos.

Quando questionado sobre a produção de podcasts na RUM, Tiago Barquinha Gonçalves adverta que “todos os podcasts que estão no site passam em antena”. O locutor revela que “oito em cada dez convidados perguntam quando é que o conteúdo vai estar disponível online”. “Se a RUM não disponibilizasse os programas em podcasts, a audiência seria claramente menor”, acrescenta. No entanto, reconhece que a linguagem deve ser adaptada a cada meio. “O que dizemos na rádio não é a mesma coisa que publicamos no Instagram, por exemplo”, salientando a necessidade de saber fazer essa distinção. “Não dá para fazer a mesma coisa, da mesma forma, para sítios diferentes”, esclarece.

Por outro lado, o estudante José Pedro Martins entende que o surgimento e preferência do público por podcasts online surge como uma forma da rádio se reinventar e melhorar os seus conteúdos para competir com os podcasts online. “O aumento dos podcasts pode afetar a rádio pela perda de algum público e consequentemente algum dinheiro, mas acho que ambas coexistem muito bem e só obriga a rádio a melhorar os conteúdos”, entende.

O locutor concluiu que “a rádio vai continuar durante muitos anos, por muitas ameaças que tenha. Quando as pessoas querem ouvir notícias ou as músicas que estão na atualidade, apesar da variedade de ofertas, a rádio oferece comodidade”. Demonstrou, portanto, acreditar que a rádio continuará a desempenhar um papel fulcral nos meios de comunicação.

Artigo por: Ana Beatriz Cunha e Marta Rodrigues