Rebelde chegou à Netflix dia 5 de janeiro deste ano. A série mexicana baseia-se na telenovela argentina, Rebelde Way (2002–2003) e na telenovela mexicana Rebelde (2004-2006). A produção da Netflix contou, ainda, com as presenças de Estefanía Villarreal, Karla Sofia Gascón e Karla Cossío, estrelas da primeira versão mexicana.

A série acompanha o início de um novo ano letivo na Elite Way School. Jovens talentosos e vindos de vários cantos do mundo entram para a escola onde as oportunidades aparecem a cada virar de esquina. Com eles vêm dramas e histórias que prometem colar qualquer um ao sofá. A épica Batalha das Bandas junta os jovens: Jana (Azul Guaita), Esteban (Sergio Mayer Mori), M.J. (Andrea Chaparro), Dixon (Jeronimo Cantillo), Andi (Selene) e Luka (Franco Masini), que acabam por se tornar amigos. Contudo, as constantes sabotagens do grupo vilão: La Loja, os desencontros e desilusões amorosas entre os estudantes põe à prova a sua amizade.

Desta forma, é impossível olhar para Rebelde e não encontrar semelhanças com Elite (2018 – ). Para além de se falar a mesma língua, o espanhol, ambas as produções, têm uma escola de meninos ricos, com uniformes, relações amorosas, de amizades e inimizades. Há o contraste entre o grupo de jovens bons e os populares da escola e a relação entre os dois cliques. A resolução de problemas e festas são algo que aproxima, também, ambas e, apesar de não apresentar um lado tão negro e forte como o que Elite introduz ao espectador, Rebelde mostra também imensos desacatos na vida dos estudantes.

Porém, o que parecia ser uma mina de ouro, acabou por não corresponder às expectativas. Apesar da nostalgia causada através da utilização de antigos atores, referências à banda RBD das antigas versões e variadíssimas referências a antigas personagens (Colucci), o novo enredo da série não parece bem desenvolvido.

De certo modo, o que acontece é que muitas das vezes para a história avançar rapidamente, as personagens acabam por tomar decisões sem lógica, isto é, que em situações normais não seriam sequer opções. Exemplo disso, são as zangas sem fundamento entre Jana e Esteban e as decisões precipitadas de Jana e M.J. Todo o desenrolar da história é feito em volta de escolhas sem cabimento das personagens e de relações repentinas e inesperadas entre elas.

O problema no rápido desenvolvimento do enredo é a repetição de diálogos e as conversas superficiais entre personagens. De alguma forma, este ritmo de história torna a série muito superficial, sem dar oportunidade para aprofundar o conhecimento individual de cada um dos jovens e as relações entre eles.

No entanto, nem tudo são críticas. Apesar de fazer referências aos seus antecessores, a produção mexicana não deixa a atualidade de parte. Temas como bullying, sexualidade, jovens e redes sociais, adolescência, relações familiares, entre outros, são abordados de forma ativa na série. A relação entre Emília (Giovanna Grigio) e Andi, remete para a naturalidade com que são encaradas, hoje, entre os jovens, as relações homossexuais. Para além do mais, o carisma de ambas as personagens e a forma como se relacionam dá ao espectador mais vontade de as ver juntas, acabando por chamar a atenção do público para a série.

A questão das redes sociais é mais abordada por Jana e Luka, ambos vindos de famílias de renome, que vivem a fazer publicações para os fãs. O que se vê é o contraste da vida feliz nas redes e a confusão que vivem na realidade.  Luka está também envolvido num drama familiar enorme, onde o pai, gestor de negócios, não quer que o filho siga a vertente artística. O mau ambiente entre eles é notável e chega até a ser desconfortável para o espectador, que torce para que Luka, que não é das personagens boas, consiga vingar na carreira da música. Toda esta situação remete para a temática de dinâmicas e relações familiares, um assunto bastante atual e poucas vezes abordado.

Ademais, as músicas são um dos pontos fortes da série mexicana. As falhas de guião e diálogo acabam por ser “mascaradas” pelos momentos musicais da série, que, para além de terem imagens visuais incríveis, animam o público.

Com a segunda temporada confirmada, Rebelde tem a oportunidade de melhorar e corrigir erros de enredo. Espera-se um desenvolvimento mais sólido e um diálogo melhor estruturado. Reavivando memórias e trazendo uma vertente mais atual da realidade, a série mexicana é uma das promessas de séries juvenis.