Depois da separação abrupta e forçada do grupo GFriend, cada uma das integrantes seguiu um caminho diferente. Após assinar contracto com a Konnect Entertainment, a ex-vocalista principal do grupo, Yuju, estreia-se na carreira a solo com o mini-álbum, [REC.]. Apesar de contar faixas divinais, o disco, lançado a 18 de janeiro, não é propriamente o projeto mais eletrizante.

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Costumo iniciar as minhas críticas sempre pela primeira faixa e analisá-las por ordem. No entanto, neste álbum em concreto, a abordagem vai ser diferente. “Play” é o single que acompanha o lançamento e constitui-se, sem hesitações, a música mais impressionante entre as cinco faixas que integram [REC.]. A faixa que assenta no dance-pop e instaura um ambiente asiático, através da exploração de instrumentos associadas à sonoridade oriental, concretiza um instrumental fenomenal. À primeira escuta, o facto de não haver grandes diferenças impactantes entre versos e refrão pode-nos fazer ficar céticos. Porém, quando ouvimos pela quarta vez, é certo que somos deslumbrados por uma melodia sui generis.

Quem conhece a cantora sabe dos enormes dotes vocais da mesma e, definitivamente, não são escutados grandes adlibs, nem notas muito complexas. Não obstante, aquilo que é cantado é feito de forma exímia e completa perfeitamente o instrumental. Para além disso, Yuju relembra-nos que não é uma artista qualquer sempre que apresenta o tema ao vivo. Playback e lipsync não estão no vocabulário de Yuju. A par da música, foi divulgado um videoclipe fabuloso e elegante que tem um toque completamente coreano. Porém, peca por, a certa altura, as imagens apresentadas serem sempre as mesmas.

Se em “Play”, a jovem rapariga canta sobre o fim de uma relação, em “Bad Blood (Intro)” assume um tom mais irritado e agressivo e solta a fúria que a percorre. O instrumental comprova isso mesmo, através da melodia virada para o pop-rock e eletrónica. O que me custa aceitar nesta faixa são alguns momentos extremamente parecidos com “Play” a nível de composição, isto excluindo o facto de uma canção tão incrível ter somente um minuto e alguns segundos.

A terceira composição do álbum é uma colaboração com o rapper Mad Clown. “Cold Winter” não é uma balada desagradável e adequa-se de forma satisfatória ao tempo de inverno, mas sendo sincero é um som já bastante saturado. Ou seja, é uma melodia que já foi feita e refeita milhares de vezes. Ademais, os versos de Mad Clown estragam um pouco o ritmo de “Cold Winter”.

Por sua vez, “The Killa” gera confusão dentro de mim. Não sei se adoro a música ou se, simplesmente, é uma música minimamente deleitosa. Se por um lado não concentra em si nada de especial, por outro, desenrola-se de um modo misterioso e sedutor, enquanto Yuju expõe as suas frustrações. Liricamente, a canção apresenta palavras sinceras e que correspondem ao sentimento criado pelo instrumental. Atentemos na tradução do refrão: “In this thick aroma, you’re my tequila/The more poisonous the more you swallow, lie, lie, lie, lie/I don’t want beautiful words anymore/My tequila-la-la/You’re the killa, killa, killa, killa, yeah”.

A encerrar a produção, “Blue Nostalgia” reinstaura o registo melancólico e ainda que o faça melhor que “Cold Winter” e, até seja construída de forma interessante, continua a ser mais uma música triste vulgar. Além disso, as constantes mudanças de escala acabam por se tornar fatigantes e inoportunas.

Em síntese, [REC.] pode ser considerado um bom álbum, que aloja faixas de diversos tipos e feitios, mas o título de excelente álbum está longe de ser atribuído. Encontramo-nos perante um disco que faz convergir boa composição, melodias magníficas e vocais celestiais, tudo o que Yuju precisa para singrar.