O tema da edição deste ano é "Federação Russa".

O Centro de Estudos do Curso de Relações Internacionais da Universidade do Minho (CECRI) realiza, entre 15 e 17 de fevereiro, a terceira edição do “Winter Crash Course”, com o tema “Federação Russa”. O ComUM esteve à conversa com Laura Semblano, presidente do CECRI, para perceber como surgiu a iniciativa e como vai decorrer a edição deste ano.

Laura Semblano começa por explicar que a iniciativa iniciou-se com o objetivo “de trazer um pouco mais de conhecimento aos alunos de Relações Internacionais”. “Já tínhamos os colóquios, que são dos maiores eventos que temos”, explica a estudante. No entanto, os colóquios têm uma abrangência de temas bastante alargada e, por isso, em 2020, o então presidente “achou que seria uma excelente ideia fazer um curso sobre um tema mais específico”. E foi assim que se realizou a primeira edição do “Winter Crash Course”, em formato presencial, com o tema “O Funcionamento da União Europeia”.

“Como os alunos mostraram bastante interesse”, a direção do CECRI achou que “era uma iniciativa que valia a pena manter”. Nesse sentido, o curso voltou a repetir-se em 2021, em formato digital, desta vez sobre a China. Segundo Laura Semblano, a edição do ano passado “teve imensa adesão, não só da Universidade do Minho, mas do país todo”. “No geral, tivemos 100 participantes de uma ponta a outra do país e foi de facto algo que nos apercebemo-nos que fazia sentido”, explica.

Um dos principais objetivos da iniciativa é envolver mais significativamente os alunos de mestrado nas iniciativas e projetos do CECRI. “Em conversa com os professores, apercebemo-nos que muitos alunos de mestrado, que não veem de uma licenciatura em Relações Internacionais, têm muita dificuldade em decidir qual o tema para a tese de mestrado e, nesse sentido, o CECRI consegue ajudar trazendo temas que podem despertar o interesse”, argumenta a presidente.

Em relação à edição deste ano, a presidente esclarece que o tema já foi escolhido em maio do ano passado, apesar da adequação com o recente escalar de tensão entre a Rússia e a Ucrânia. Todavia, “a escolha dos painéis já foi mais recente e acabou por coincidir um pouco com o que está a acontecer”, elucida. Assim como nas edições anteriores, a atual direção optou por manter a tradição de escolher como tema um espaço geográfico específico. Mas porquê a Rússia? “Este ano queríamos falar de um tema não tão falado. Estamos muito polarizados com Estados Unidos, União Europeia, China e a Rússia é um tema que vale a pena ser aprofundado e estamos agora a apercebermo-nos cada vez mais disso”, argumenta Laura Semblano.

Nesta edição, serão abordados alguns temas como o governo de Putin, a relação entre a Rússia e os Estados Unidos da América, bem como a relação com a Ucrânia. No painel de oradores, encontram-se os nomes, entre outros, de José Milhazes, comentador político na SIC e de Anton Shekhovtsov, diretor no Centro para a Integridade Democrática. Sandra Fernandes, professora na UMinho, e Jeff Hawn, professor na American University, também vão estar presentes.

De acordo com a estudante, “as expectativas são altas” para este ano, resultado também do elevado número de inscrições. No entanto, “mais importante do que o número de pessoas a aparecer é o que as pessoas retiram do curso”, garante. Além das sessões, os participantes vão ter acesso a um padlet com informações sobre o curso, que contém “um espaço para os oradores deixarem as suas apresentações”.

Por último, a presidente reitera que praticamente todos os eventos do CECRI são abertos à comunidade académica, não se reservando exclusivamente aos estudantes de Relações Internacionais. Tomando como exemplo a edição deste ano do “Winter Crash Course”, Laura Semblano explica que, no curso, “não se vai falar de teoria de Relações Internacionais, mas sim de acontecimentos que se veem nas notícias” e que iniciativas como esta ajudam os participantes a “aprofundá-los um pouco e a perceber os motivos”.