O Hobbit – Uma Viagem Inesperada fez a sua estreia em 2012 e retoma o imaginário fantástico explorado, na viragem do milénio, pela trilogia O Senhor dos Anéis. Tesouros perdidos, anões e profecias marcam agora a narrativa que tem como protagonista o jovem hobbit Bilbo Baggins.

A história inicia-se no Shire, como não podia deixar de ser. Bilbo está descontraidamente a fumar até que um velho de barbas brancas e vestes cinzentas o interpela. É Gandalf, o feiticeiro, que o desafia a entrar numa aventura. Que coisa tão estranha uma aventura. Habituado à quietude daquelas terras de gente pequena (sim, os hobbits são pequenos), Bilbo não conhece nem pretende conhecer o exterior. Assim, desconfiado e confuso, tenta afugentá-lo. Mas Gandalf ignora a resposta e deixa uma marca na porta de sua casa a assinalar o local.

No cair da noite, a campainha toca. Quem toca é Dwalin, um anão careca e carrancudo. Não tardam a chegar mais 12 anões, juntamente com Gandalf. A companhia dos inusitados convidados é liderada pelo príncipe anão Thorin Escudo de Carvalho, que pretende recuperar o reino perdido de Erebor, ocupado e guardado pelo terrível dragão Smaug. E assim termina a pacatez da vida de Bilbo, o qual é empurrado para uma jornada completamente inesperada. Orcs, trolls, goblins, aranhas gigantes e até elfos são apenas algumas das ameaças que o grupo vai enfrentar ao longo da viagem.

A história pretende transmitir, desta forma, uma mensagem bastante simples – é importante procurar mais e tentar romper com as fronteiras do conhecido. Desta forma, é um incentivo à ação e uma crítica à apatia. Assim como o jovem hobbit, o espetador é inconscientemente encorajado a ultrapassar os seus limites, mesmo que isso o transforme. A verdade é que Bilbo nunca mais foi o mesmo desde esta aventura, porém isso fica para a última parte da trilogia.

Relativamente ao trabalho de pós-produção, nota-se uma diferença abismal entre este filme e o número um do Senhor dos Anéis. Existe claramente uma representação dos elementos fantásticos muito mais realista. Contudo, é importante frisar que os 11 anos que os separam se traduzem num avanço tecnológico bastante significativo.

Falar desta obra cinematográfica significa falar também da genialidade da banda sonora. A verdade é que não se estava à espera de menos do compositor de Howard Shore. O equilíbrio perfeito entre repouso e tensão faz com que o espetador respire quase na pulsação da música que se encontra perfeitamente sincronizada com a ação do filme.

A produção tem cerca de três horas assim como os restantes dois filmes da trilogia. Não deixa, por isso, de ser interessante perceber como esta gente do cinema conseguiu transpor um único livro com cerca de 300 páginas para o grande ecrã. Claro que isso só foi possível com a introdução de várias cenas e personagens que nem aparecem no exemplar do escritor Tolkien. No entanto, a adaptação cinematográfica é fiel ao imaginário fantástico da Terra Média, sendo uma obra que merece, com toda a certeza, ser visionada.