Apesar de lançado em 2009, She Wolf continua a ser atualmente um dos maiores êxitos de Shakira. O álbum, que completa em outubro 13 anos, inclui as músicas “Did it Again”, “She Wolf” e “Gypsy”.

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Após alcançar o auge do seu sucesso mundial, com hits como “Hips Don’t Lie” e “La Tortura”, Shakira começa a trabalhar no seu sexto projeto de estúdio. A cantora traz agora uma sonoridade completamente diferente daquela que tinha habituado o público. Se dantes era reconhecida pelo seu gênero mais pop latino ou, eventualmente, pop-rock, a artista reafirma-se agora com o género electropop. She Wolf abarca diversos estilos musicais do mundo. É notória a versatilidade da vocalista, que em muito se deve à sua rica herança cultural, uma vez que o seu pai tem origem libanesa e a sua mãe italiana.

Como arranque inicial do projeto, a faixa escolhida partilha o nome com o álbum. “She Wolf” acabou por se tornar um dos maiores sucessos da carreira da cantora. A faixa encaixa-se num género mais synth-pop em fusão com disco. O tom agudo do refrão parece ser propositadamente escolhido, de modo a que fique na memória do público. Também o uivo de um lobo a meio do refrão, e uma respiração ofegante no final, dão um toque marcante à faixa.

Esta última é uma das muitas músicas que a comunidade LGBTQ+ adotou como hino, já que a letra incentiva a libertação de “uma loba” do armário. Esta analogia exprime a necessidade da “loba”, da canção, se libertar e ser ela mesma. A faixa acabou por ganhar uma regravação em espanhol, sendo até considerada por muitos, melhor que a original.

“Did It Again” foi o segundo single escolhido pela cantora para a promoção do álbum. Continuando com a mesma garra da música anterior, Shakira canta sobre a relação extraconjugal que mantém com um homem. Porém, desta vez, a cantora demonstra também o seu lado mais sensível e ingénuo: “How blind a girl can be, to miss you hide your ring, lied about everything, I’m so naive and I should have known that”. E por mais inusitado que pareça, Shakira é capaz de juntar dois géneros bastante distintos, como electropop e samba, e fazer a música resultar extraordinariamente. O sucesso foi evidente, tendo a faixa entrado em várias listas da Billboard ao redor do mundo.

Um dos temas mais interessantes do projeto acaba por ser “Good Stuff”. Uma música que quase parece retirada da discografia de Britney Spears, dado o seu registo mais pop, muito característico da cantora. As influências árabes são, também, evidentes na música. A letra sensual é acompanhada por intensas percussões e sons de sintetizador invulgares. A faixa não teve tanto sucesso como os singles, dada a falta de investimento, por não se tratar de um. Apesar disto, no quesito de qualidade, é uma das músicas que tem melhor desempenho.

O terceiro e último single encontra-se a meio do álbum, na sétima posição. “Gypsy” é a faixa mais calma e morosa do projeto. Esta encontra fortes influências da música indiana e árabe e conta, também, com a presença de instrumentos, como o bandolim, banjo e o instrumento indiano, tabla. A lírica representa a forma da cantora ver a sua vida. A colombiana explicou que está “na estrada” desde muito jovem e por isso a escolha da metáfora de cigana. “Gypsy” foi também o tema interpretado num dueto que envolveu Shakira e Selena Gomez, num dos episódios da série da Disney, Feiticeiros de Waverly Place (2007). E tal como “She Wolf”, o tema acabou, igualmente, por ganhar a sua versão hispânica com o nome “Gitana”.

A diversidade de ritmos e musicalidades é, de facto, um dos fatores mais atrativos do álbum. Shakira consegue, com este projeto, remarcar ainda mais a sua versatilidade. Com a mistura de influências árabes, a cantora torna o álbum muito mais rico e agradável. Quase que podemos afirmar que tudo aquilo que Shakira toca musicalmente se torna um sucesso.