Após quatro anos de pausa e processo, Linda Martini regressa com ERRÔR, álbum que foi lançado o mês passado e que, apesar de se manter bastante fiel ao registo da banda a que todos estamos familiarizados, introduz alguns temas com uma imagem nova.

O tema introdutório “Eu Nem Vi” faz um brilhante trabalho a introduzir todos os pontos daquilo que se pode esperar ao ouvir a obra na sua totalidade. Conjugando a estética mais obscura deste trabalho, através da junção de vozes de André Henriques e Cláudia Guerreiro, conseguem coincidir com o som alternativo já característico da banda.

Destaquemos, também, os temas “Super Fixe” e “Não me Continuem”. Aqui, predomina uma espécie de diálogo relatado pelo vocalista. Esta estratégia é um tanto incomum no mundo da música. No entanto, atribui um carácter inigualável aos temas e é algo que se vê cada vez mais, não só em estilos alternativos, como até no próprio pop mais comercializado (remetendo para o exemplo de Billie Eilish na faixa “Not my Responsibility”). Podemos observar essa característica de discurso falado e não cantado em toda a obra dos Linda Martini.

A permanência de muitos elementos já utilizados pela banda ajuda a manter a identidade vincada, já tão conhecida do público. Tomemos como exemplo as letras, que acabam por ser um elemento bastante interessante, não só neste álbum, como em grande parte do trabalho dos Linda Martini. A lírica do grupo tem bastante simplicidade, mas também uma boa dose de humor. Esta característica contrasta perfeitamente com as melodias, por vezes bastante pesadas e complexas (como podemos comprovar em “E Não Sobrou Ninguém”).

Os elementos de escrita e verso quase livre dão uma liberdade de discurso ao vocalista e entregam grande parte do protagonismo às melodias e instrumental em si. Pode-se, igualmente, observar uma preocupação acrescida em fazer a voz do vocalista brilhar cada vez mais.

Por fim, um dos temas que merece mais relevância em ERRÔR materializa-se em “Festa da Expiação”. Este tema constitui, talvez, um dos melhores e mais versáteis temas de todo o álbum. A música revela um grande contraste, entre um início cauteloso e pesado, e a explosão gradual dessa energia durante o resto.

Em suma, é seguro afirmar que muitos dos aspetos que Linda Martini já havia oferecido e pelos quais é conhecida são, também, abraçados neste novo projeto. Remetamos, por exemplo, para um já habitual som obscuro, ainda que, mesmo assim, se tenha conseguido contrariar essa tendência e trazer uma nova frescura à banda. Isto foi conseguido com um registo ligeiramente mais suave do que aquilo que até agora teria sido apresentado, assegurando, sem sobra de dúvida, um balanço bastante positivo a ERRÔR.