O plástico é o "principal inimigo do bem-estar do oceano".

A crescente produção de máscaras, luvas e outros equipamentos de segurança fizeram com que mais plástico se arrastasse até aos ecossistemas marinhos. Segundo o enviado especial da Organização das Nações Unidas (ONU), Peter Thomson, a situação pandémica agravou ainda mais a poluição nos oceanos.

Se antes da situação pandémica os níveis de poluição eram preocupantes, com a presença do vírus da Covid-19, os ecossistemas marinhos ficaram ainda mais afetados. Num relatório da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE) é possível verificar que, entre 2000 e 2019, o volume anual de resíduos de plástico duplicou, verificando-se uma quebra de 2,2% em 2020.

No entanto, Peter Thomson dá conta de “um novo elemento de poluição plástica adicionado como resultado da pandemia”, referindo-se ao plástico descartável. Este crescimento é justificado pela obrigatoriedade de utilizar equipamentos de proteção individual. A par dessa situação, os plásticos dos serviços ao domicílio e as embalagens das compras online dispararam também com as medidas de isolamento.

Não só o aumento dos níveis de plástico descartável constituem um problema. Segundo Peter Thomson, o crescente nível de emissões de gases com efeito de estufa geradas pela atividade humana são igualmente uma preocupação. Este problema, que tem impacto na acidificação e no aquecimento da temperatura no oceano, afeta os ecossistemas marinhos.

O enviado especial da ONU pode observar diretamente “o aumento do nível do mar, o clima extremo e a perda de biodiversidade”. De acordo com a perspetiva do especialista, se não existir uma mudança extrema nos níveis de emissão de dióxido de carbono, todos os recifes de coral no mundo vão estar em perigo de extinção. “A saúde do oceano é a nossa saúde”, salienta.