A iniciativa visou o debate das dificuldades que a mulher encontra na participação política.

A iniciativa “Mulheres na Política” trouxe para cima da mesa o debate sobre o papel da mulher – e, consequentemente, do homem – na política, bem como a falta de representatividade feminina. O evento, organizado pelo Centro de Estudos de Administração Pública da Universidade do Minho (CEAP), decorreu esta quarta-feira, dia 7 de abril.

Na palestra, estiveram presentes Ana Gomes, jurista, antiga diplomata e política portuguesa, e Joacine Katar Moreira, historiadora, ativista e ex-deputada no Assembleia da República. Guadalupe Amaro, ativista feminista e membro da comunidade LGBTQ+, também marcou presença.

Ana Gomes lembrou a Revolução do 25 de abril como um ponto de viragem para as mulheres na política. “Eu nunca teria sido diplomata antes do 25 de abril”, explicou. Da mesma forma, afirmou que foi a partir desse marco que a sociedade começou a evoluir e que a representatividade das mulheres passou a ser um assunto. Em 1994, a jurista integrou um “observatório de igualdade” que exigia, junto dos líderes políticos, “pelo menos uma quota de 25% de mulheres”. “Desde o início, percebi que, por ser mulher, teria os holofotes todos em cima de mim, por coisas ridículas”, confessou. Apesar de assumir que “a representação política é das que conhece mais resistências”, Ana Gomes considera que é necessário “persistir e apostar na formação das pessoas para que elas resistam e a sociedade se vá habituando”.

Por sua vez, Joacine Katar Moreira afirmou ser “um desafio ser-se mulher na política”. Sublinhou a necessidade de uma maior representatividade feminina e étnica no parlamento – “a igualdade sem representatividade não existe”. Relembrou, dessa forma, a “herança de mulheres sufragistas, feministas e mulheres que morreram pela igualdade”. A ex-deputada confessou que não esperava o “escrutínio” a que foi sujeita aquando da sua entrada na Assembleia da República. Sobretudo, tendo em conta que, no mesmo dia, entrou um deputado de um partido “fascista e assumidamente racista”. Quem foi escrutinado fui eu e não ele”, acrescenta.

Guadalupe Amaro salientou as dificuldades do acesso à vida política, por parte de muitas mulheres. Revelou que, na sua experiência, encontra ainda obstáculos como a misoginia, o paternalismo, a sexualização e a violência. Explicou que, enquanto mulher transgénero, é frequente ouvir comentários transfóbicos sempre que expõe uma opinião. Ainda assim, recusa-se a permanecer nesse “lugar de exclusão e silêncio em que se espera que as pessoas trans fiquem”. Ademais, referiu as origens e condições financeiras como aspetos que influenciam a participação na vida política, a educação e o acesso a informação política.