Depois de Um Estudo em Escarlate (1887), voltamos a encontrar-nos com o detetive mais conhecido do mundo n’ O Signo dos Quatro. Apesar de não ser tão bem conseguido como o primeiro, a mestria de lógica e uso de palavras de Sir Arthur Conan Doyle fazem desta segunda aventura de Holmes um page-turner para uma tarde bem passada.

Há algo no tempo de calor, e talvez com o aproximar de exames, que pede literatura mais leve. Contudo, engana-se quem acha que não há clássicos da literatura leves. O Signo dos Quatro é um bom exemplo disso. Quando Mary Morstan aborda Holmes e Watson para desvendar aquilo que aconteceu ao seu pai, damos de caras com um mistério que só se vai adensando.

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De pérolas compassadas como presente, tesouros astronómicos a mistérios do passado que se tornam crimes do presente, cria-se facilmente uma conjuntura perfeita para nos prender naquilo que são 12 capítulos pequenos. Ademais, sem nunca esquecer o encadeamento lógico da linha de pensamento dedutiva de Sherlock, que absolutamente não falha em surpreender.

Ao contrário daquilo que se pode imaginar de literatura de 1890, o vocabulário utilizado é bastante percetível, as frases têm o tamanho perfeito para uma leitura rápida e compreensível e algumas temáticas não ficaram para trás com o tempo. Contudo, a qualidade da estreia de Holmes no romance Um Estudo em Escarlate é percetivelmente maior. Talvez pelo fator novidade, ou pelos elementos ligeiramente mais previsíveis no seu sucessor, o primeiro romance é superior.

Apesar disto, O Signo dos Quatro não deixa de ser um romance completamente essencial na entrada no mundo do maior detetive da história da literatura. Apesar da diferença de qualidade, esta estória apresenta alguns elementos apelativos para aqueles a quem custa ler literatura clássica como, por exemplo, perseguições detalhadas e de tirar o fôlego, como se de um filme de ação contemporâneo se tratasse.

Em suma, O Signo dos Quatro, apesar de não ser o ex-libris da criação de Conan Doyle, acrescenta alguns elementos importantes à sua história, fator este que o torna de leitura indispensável. A sua pequena dimensão é, igualmente, um fator apelativo, já que é passível de ser lido numa tarde que precise de alguma lógica e mistério.