Criado para o filme que lhe deu nome, The Bodyguard: Original Soundtrack Album, foi lançado a 17 de novembro de 1992, pela Arista Records. Aclamado pela mestria vocal da cantora Whitney Houston, destacou-se pela qualidade superior da produção, tornando-se banda sonora mais vendida de todos os tempos.

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Intitulado como o álbum mais vendido por uma mulher na história da música, e da década de 90, este projeto foi um marco histórico. The Bodyguard: Original Soundtrack Album levou Houston a segurar o pódio como melhor artista feminina no Billboard 200 durante 19 anos, até ser ultrapassada por Adele em 2011. Esta discografia divide-se em duas partes. A primeira é composta por seis músicas pop, interpretadas por Whitney Houston. Seguida de uma segunda parte mais diversa, de músicas contemporâneas de pop e dance, e intensas de pop-disco, que contam com personalidades como Alan Silvestri, Kenny G e Lisa Stansfield, na produção e interpretação das faixas.

Seguindo as mesmas métricas da experiência sonora deste álbum, “I Will Always Love You” de Whitney Houston apela aos mercados de pop, R&B, contemporâneo e soul, com as características ressonantes do trato vocal da artista. Um hit intemporal, destaca-se pelo timbre único, e a rara capacidade de Houston mover o seu vibrato num retrato emocional, transportando em cada palavra uma mensagem. Amplamente aclamada, é até hoje uma das baladas mais icónicas no mundo da música e um hino identitário de amor e superação. A lírica fala sobre os problemas mais profundos de uma relação, num ato de consciencialização de que nem tudo é singular. Ao mesmo tempo, tem um caráter dicotómico, pois declara um amor incondicional, mas também reconhece que a desvinculação desse amor é necessária para o crescimento individual das duas partes.

“Run to you”, “Jesus Love me” e “I Have Nothing” precede os mesmos módulos de “I Will Always Love You”, apresentado uma cadência lenta que primazia a poderosa dinâmica vocal de Houston, num ambiente intimista e simplista. Destaca-se “I Have Nothing”, uma das canções mais tocadas de Whitney Houston. Esta aborda a importância da artista se manter verdadeira à sua natureza. A força da lírica é percetível pela subida gradual do tom da cantora, tornando-a mais dinâmica e interessante ao nível sonoro. Não é por acaso que esta mudança acontece, pois dá a pertinente aparência de uma reviravolta, como se o medo e excitação inicial que dão lugar à liberdade pessoal.  A ideia de sacrificar os seus princípios em detrimento de alguém é aqui perspetivada como um ato de egoísmo. Assim, a mensagem de que, por vezes, é necessário “fechar mais uma porta”, para que as demais se abram.

Não obstante, temas como “Queen of the Night” e “I’m Every Woman” apresentam uma cadência frenética, típica dos clubes dos anos 90. Um desvio da moda do álbum, mas que lhe dá vivacidade, demonstrando a versatilidade da artista.  Já na segunda parte, a cena é tomada pela atriz Lisa Stansfiel com “Someday”, uma música de romance, mas que com a tonalidade vocal da cantora se torna mais intensa. Por outro lado, “It’s Gonna Be A Lovely Day” de S.O.U.L. S.Y.S.T.E.M, proporciona o vídeo mais eclético de todo o álbum, com uma paleta de cores que emana o tema divertido do single. É uma música energética, com uma cadência rítmica dançante, cuja cobertura é trabalhada, desde o design até á estrutura da composição de uma forma exímia, de modo a transparecer o positivismo e a leveza da canção.

A nostalgia deste álbum transporta os ouvintes para uma época longínqua, mas ao mesmo tempo recente. Apesar de se perceber que o álbum não é propriamente novo, podemos revelar traços que servem, ainda hoje, de inspiração para o mercado da música. A obra destaca-se, principalmente, pela primeira parte. O fluxo das canções seguintes, apesar de boa qualidade, são uma tentativa falhada de acompanhar Houston e os seus vocais arrebatadores, criando uma disrupção na continuidade da energia do álbum. Em contrapartida, as mensagens presentes nesta peça são intemporais, personificando que não existe novo sem o antigo, e que os clássicos nos perseguem pois são intrínsecos à nossa existência.