O Enterro da Gata iniciou-se este sábado, dia 7 de maio. O evento regressa a Braga depois de não ter acontecido durante dois anos, por causa da pandemia. Nesta nova edição, o ComUM ouviu os representantes de três barraquinhas para perceber quais foram os constrangimentos sentidos durante a preparação do evento.

O regulamento das barraquinhas foi partilhado no dia 16 de abril e a Associação Académica da Universidade do Minho (AAUMinho) realizou uma sessão de esclarecimentos no dia 20 de abril. As barraquinhas tiveram até dia 24 do mesmo mês para submeterem as suas candidaturas.

Segundo a presidente da comissão de Direito, Beatriz Ribeiro, “as decisões foram tomadas sem haver um mínimo de empatia para com as comissões e foram pensadas apenas para benefício da associação académica e nunca para benefício das próprias comissões”. Já a presidente da comissão de Ciências da Comunicação, Maria Fernandes, admite compreender a exigência das medidas e regras do regulamento, no entanto, afirma que “aquilo que que incomoda as comissões no geral são pontos muito específicos do regulamento a que a AAUMinho não cedeu”.

Nesta edição das Monumentais Festas do Enterro da Gata, as barraquinhas dos cursos foram estimuladas a participar no concurso “Barraquinha Sustentável”. O concurso, anunciado no dia 3 de maio, refere que as barraquinhas participantes vão ser avaliadas em função das decorações com matérias sustentáveis e da separação de resíduos. Para o Coro Académico da Universidade do Minho (CAUM), “as condições da decoração foram partilhadas em cima da hora, o que dificultou o trabalho”. “Quando os grupos já sabem que vão fazer uma barraca, mal sai o tema da AAUMinho, começam logo a pensar em decoração específica para a barraca e, se calhar, começam logo a comprar materiais. Esta parte da sustentabilidade não foi tida em conta, porque o coro soube muito em cima da hora e já tínhamos um plano delineado”, acrescenta a presidente do CAUM, Bruna Lopes.

Ao contrário das edições anteriores, a entrada nas barracas é feita pela frente, através de um balcão amovível. A mudança não é bem-vista por todos. A presidente do CAUM “nunca trabalhou com barracas com balcão amovível”,  mas não tem “boas expectativas”. “O balcão pode ser movido por pessoas que não fazem parte da barraca e pode causar constrangimentos. Isto vai com certeza causar problema”, explica. Bruna Lopes menciona ainda como o movimento das pessoas pode tornar-se num problema para as barraquinhas, no momento em que o recinto estiver cheio. “Estamos a falar de um balcão no qual vão estar apoiadas pessoas bêbedas, que às vezes andam aos encontrões. Normalmente, estão alcoolizadas e, a partir de uma determinada hora, há muito alarido no Enterro. E, isso vai causar constrangimentos”, garante. “Estará por confirmar, mas as expectativas não são as melhores”, reforça.

“Desde que me recordo, em nenhum ano, o regulamento do Enterro foi feito em conjunto com os núcleos, barracas, seja o que for”, explica o presidente-adjunto externo, Alexandre Gencer. “O regulamento que agora foi divulgado é muito similar ao de 2019”, acrescenta.

Segundo o presidente-adjunto externo, o regulamento serve para que a AAUMinho se balize e se proteja. “Eu acho que as regras devem sempre existir e acho que elas são importantes. Não quero dizer que não haja uma flexibilidade daquelas que são as normas dispostas no regulamento. E foi isso que nós dissemos às comissões de festa desde a primeira hora, quando nos reunimos com elas: nós somos flexíveis e estamos muito flexíveis à situação do regulamento. Nós primeiro temos de definir a regra e depois dentro daquilo que são as regras temos de analisar as situações caso a caso”, esclarece Alexandre Gencer.

Ao contrário do que é mencionado pelo presidente-adjunto externo, as comissões de festa não sentiram que essa “flexibilidade” foi uma realidade. A título de exemplo, a comissão de Direito fala sobre a reunião realizada entre a AAUMinho e as comissões. No encontro, “os grupos apresentaram os seus problemas e dúvidas e os dirigentes associativos estavam irredutíveis e sem respostas plausíveis para dar”, nota. “Após várias queixas por parte das comissões, nada mudou, acabamos por não ser ouvidos e os nossos interesses não foram levados a cabo”, adiciona.

Já a comissão de Ciências da Comunicação aponta ainda as falhas de comunicação como um problema. “Ainda ontem tínhamos uma formação de manhã, que foi alterada para a tarde e ninguém nos avisou”, ilustra Maria Fernandes. “As decisões são tomadas, mas não passam para nós – temos de ser nós a procurar saber as informações”, acrescenta.

“Independentemente das críticas e pressões, posso afirmar que nunca pensamos alterar o regulamento”, declara Alexandre Gencer. O presidente-adjunto externo refere ainda que a associação poderia alterar o regulamento por eventuais falhas que existissem. No entanto, “mais do que alterar”, “se calhar”, a AAUMinho optaria por “prestar esclarecimentos”.

Artigo por: Ana Margarida Alves e Joana Oliveira

Entrevista por: Maria Carvalho e Nuno Pereira