Os residentes têm até ao final do mês de junho para se mudarem para a residência de Santa Tecla.

Os estudantes da residência Carlos Lloyd Braga vão ser obrigados a sair das instalações até ao final do mês de junho. Em causa, está o Campeonato Mundial Universitário de Futsal 2022 que, este ano, vai ter lugar na Universidade do Minho (UMinho) e vai implicar o alojamento de vários atletas.

Os estudantes foram notificados informalmente pelas comissões das residências no domingo, dia 29 de maio. No entanto, os Serviços de Ação Social da UMinho só emitiram o comunicado oficial esta sexta-feira, dia 3 de junho. 

O ComUM sabe que a informação foi dada numa reunião da assembleia de residentes. Onde pediram para alertar os estudantes da realização de uns eventos culturais e desportivos e que, assim, estes vão ter que se deslocar para Santa Tecla. Desta forma, foram as comissões que ficaram encarregues, num primeiro momento, de avisar os colegas.

Ana Júlia, estudante de Estudos Portugueses, confirma que recebeu a informação através de um grupo no WhatsApp. Já Catarina Dias, estudante de Ciências da Comunicação, considera que a comunicação poderia ter sido feito de uma forma diferente. “É a questão de não comunicarem connosco diretamente. Podiam ter avisado melhor”, afirma. 

A mudança de residência vai ter um forte impacto na vida dos estudantes. “É muito chato para as pessoas que vão continuar a ter aulas ou vão à época especial”, constatam residentes não identificados. “Os estudantes já estão cheios de preocupações e vão ficar ainda mais”, completam. 

Esta perspetiva é partilhada por Ana Júlia, que aponta a localização da residência de Santa Tecla como um constrangimento. “A distância entre a universidade e Santa Tecla é a questão mais incomodativa. Vamos ter de pagar transporte para nos deslocarmos e eu, por exemplo, não tenho grandes possibilidades monetárias para tal”, explica a estudante. Também Catarina Dias concorda que a decisão vai provocar dificuldades. “Vão retirar-nos da residência numa altura em que estamos preocupados com exames. Isto vai constranger muita gente, porque Santa Tecla não é assim tão perto da universidade”, considera.

Para além da ocupação total da residência Lloyd, os atletas vão também instalar-se no bloco D e E da residência de Santa Tecla. Desta forma, ficam três blocos (A, B e C)  para os alunos de ambas as residências. Para os residentes, esta é uma decisão que “não é viável”. Principalmente porque os blocos a serem ocupados pelos estudantes são considerados “os piores blocos da Santa Tecla, em que não há casa de banho privada e os quartos são muito mais pequenos”. “Mudar assim as condições que os alunos têm é mau, condições que nem são similares às que tem no momento”, afirmam.

Também os funcionários demonstraram a sua preocupação quanto ao assunto. Pois, “enquanto que na Lloyd vai haver uma equipa de limpezas profissional, em Santa Tecla vão ser todas as empregadas a fazer esse trabalho, com uma carga horária muito maior”, declaram. “Vai ser insustentável”.

Foram, no entanto, apresentadas propostas por parte dos alunos para criar soluções mais viáveis para todas as partes. “Propusemos que os atletas fossem todos para a Santa Tecla já que tem cinco edifícios. Os blocos D e E têm muitos quartos e se ainda forem para o C, não há necessidade de estar a tirar os residentes da Lloyd”, asseguram residentes não identificados. Também a questão dos transportes foi debatida. Ao serem questionados, foi informado que os residentes vão ter direito a autocarros para facilitar a mudança de local.

“Não há nada a fazer”. É o que respondem quando os problemas e constrangimentos que esta decisão vai ter para os alunos são apresentados. “Não vai haver mudança nenhuma. São duas grandes entidades a quererem isto, e mesmo com as queixas dos alunos, não vai levar a nada”, expressam os residentes. 

Para além disso, recentemente estão a ser realizadas remodelações na residência Lloyd e também nos blocos de Santa Tecla onde os atletas vão estar alojados. Para Catarina, “é muito chato haver queixas o ano inteiro de coisas que estão estragadas, que não estão a funcionar e só agora é que estão a ser remendadas”. “Nós sentimos que isso são coisas para os outros e não para nós”, conclui.

Artigo por: Joana Oliveira e Maria Francisca Barros

Artigo atualizado no dia 4 de junho às 23:51