Jane Eyre de Charlotte Brontë foi lançado no ano de 1847. A obra literária é um romance vitoriano erótico e empoderado, repleto de tropas góticas e energia explosiva. A escritora demonstra uma sinceridade cativante, bem como uma determinação firme e um sentido de moralidade que é difícil de resistir.

A protagonista, Jane, é uma órfã criada ao lado dos seus primos antagonistas, sob os cuidados hostis da sua tia, Sarah Reed. Os seus pais morreram quando era jovem, o que a levou a ser enviada para viver com os seus familiares que a maltratam ao longo de toda a sua infância. Quando Jane é enviada para a escola Lowood, a protagonista sente que escapou de uma situação terrível para terminar noutra situação pior. Embora ela encontre amizade em Lowood, as condições são duras e, quando as coisas se desmoronam, Jane forja para si própria outra fuga, desta vez para ser governanta no Thornfield Hall.

DR

Ao longo de todo o romance, Jane é calada e a sua agência restringida, mas a personagem recusa-se a aceitar a sua própria falta de independência e insiste no seu sentido estrito de ser como indivíduo. A protagonista desenvolve esta força de carácter através de uma série de experiências. Com o seu espírito ágil e individualidade teimosa, Jane distingue-se de heroínas anteriores. Por outras palavras, Jane é uma mulher combativa, de princípios e procura viver em sociedade, mas nunca aceita de boa vontade as expectativas e opressões que marcam a vida em comunidade.

Eventualmente, é-nos apresentado o Sr. Edward Rochester, um homem sombrio e inquietante que depressa deixa cair a sua personalidade fria ao conhecer Jane Eyre. O romance entre estes personagens pode não ser conhecido por muitos dado o seu desenvolvimento e desfecho, porém, as características de Jane que fazem com que Rochester se apaixone por si são aquilo que prende os leitores. É o eventual reconhecimento que Sr. Rochester acaba por ter de Jane como uma pessoa inteligente e genuinamente atenciosa que lhe permite apaixonar-se. Apesar disso, a obra literária oferece-nos a parte inicial da sua relação que esteve repleta de dificuldades dada a diferença nos seus estatutos sociais.

É importante mencionar novamente que a paixão de Jane não existe apenas pelo Sr. Rochester, mas sim pela luta contra a opressão e contra aqueles que procuram restringir a sua agência, sendo este o tema principal. Tanto para Charlotte Brontë como para Jane, a vida só pode ser satisfatória quando vivida plenamente e nos seus próprios termos e isto causa conflitos, tanto a nível interpessoal como intrapessoal para a protagonista.

Por um lado, a forte caracterização de Jane é também suportada pela sua própria narrativa. Por outro, a história afirma o individualismo da personagem e Jane dirige-se ao leitor com comentários sobre a sua própria vida, afirmando o valor do seu próprio monólogo interior. Este forte sentido de importância individual acaba por ir contra o feminismo da época, algo que torna este livro ainda mais magnífico.

As emoções podem ser consideradas como demasiado profundas e descritivas. No entanto, a escrita de Charlotte Brontë permite que o leitor se envolva com as emoções escuras que percorrem o texto e não lhes dá outra escolha senão continuar até que tudo acalme, isto é, até não faltarem páginas para virar.