O álbum “+” ou Plus, lançado a 9 de setembro de 2011, foi a grande estreia do cantor e compositor britânico Ed Sheeran no mundo da música. Atualmente, conta com mais de uma década de vida e continua a ser um dos álbuns mais famosos e aclamados da série matemática criada pelo artista.
O primeiro trabalho do cantor conta originalmente com 12 faixas, às quais foram acrescentadas, na edição deluxe do material, mais quatro. Em termos musicais, “+” é um disco derivado dos estilos folk e indie pop. Para além da acústica musical, o artista mostra a necessidade que sentiu de falar sobre assuntos pelos quais realmente se interessa e que passa na vida real.
Este álbum foi o pontapé de saída para a futura sequência da discografia com os álbuns “x” (2014), “÷” (2017), “No.6 Collaborations Project” (2019) e “=” (2021). A balada pop “The A Team” foi a primeira a ser lançada e é um dos maiores sucessos da estreia do cantor britânico. Com uma bela e lenta faixa melódica e um conteúdo lírico sombrio e profundo, Ed revela aos fãs a história de uma jovem prostituta e toxicodependente que vive na “Equipa de Classe A” .
Por outro lado, é também conhecida como sendo a classe/estado de um usuário de drogas que, para sustentar o seu vício, é obrigado a se prostituir. Nesta faixa, Ed destaca a construção lírica em detrimento da melódica, composta fundamentalmente pelos mesmos acordes de guitarra. A ênfase vai, então, para a mensagem que apela para a luta diária de muitas mulheres que vivem e trabalham à noite nas ruas.
Tal como a anterior, a faixa “Small Bump” desenvolve-se numa balada pop onde o artista não varia muito o já conhecido estilo melancólico e monocórdico tocado pela guitarra acústica. A música foi inspirada na vida de uns amigos do cantor e escrita na primeira pessoa, revelando a perspetiva do pai que perdeu o seu filho devido a um aborto espontâneo.
A faixa é fascinante e surpreendente. Isto porque Sheeran contrasta formidavelmente a perspetiva bonita dos sonhos e desejos que os pais têm antes do nascimento do filho, com o sofrimento no momento em que o perdem. Se no início os fãs ouvem “És apenas uma pequena saliência/ Em quatro meses, ganhararás vida”. No final deparam-se com a reviravolta de um desfecho trágico, onde canta “Eras apenas uma pequena saliência ainda não nascida/Mas por só quatro meses, perdeste a vida”
Já “Lego House” é outra das músicas do artista mais amadas pelo grande público. Aqui Sheeran serve-se de uma imensidade de metáforas para representar o final de um relacionamento amoroso. Apesar de, não aparentar ser uma melodia muito diferente das já ouvidas nas demais faixas, o refrão atinge o ouvinte. Este, bombardeado de uma série de ritmos instrumentais rápidos e cativantes, proporcionam um flow viciante à composição. O videoclipe conta com a participação do renomado ator da saga Harry Potter e Rupert Grint. Os atores fazem a representação de um amor obsessivo entre um ídolo e o seu fã, numa espécie de amor doentio.
Por outro lado, “You Need Me, I Don’t Need You”, lançado como o segundo single, é talvez a música mais arriscada de todo o álbum. Bastante diferente, sem a guitarra acústica habitual ou a voz doce e harmónica do cantor, ouvem-se ritmos frenéticos e uma letra rápida acompanhada por um excelente beatbox de Ed. Assim, “You Need Me, I Don’t Need You” assemelha-se a “The City”. No entanto, com ritmos mais velozes e crus, marca o álbum pela inovação. O videoclip é também um fator de destaque, uma vez que a letra é mostrada ao espetador através de um intérprete de língua gestual, numa bonita forma artística de inclusão.
Um dos slows mais tocados em todo o lado continua a ser “Kiss Me”. A composição que pareceu não envelhecer com o passar dos anos, tornando-se um dos hits mais queridos. Incluindo o próprio cantor revelou tê-la feito numa “tentativa de ser uma daquelas canções clássicas de casamento”.
A encerrar o álbum da melhor forma surge “Give Me Love”. Sem dúvida a composição mais bem produzida do álbum. Este som mistura o folk e a balada pop produzindo uma melodia repleta de transições bruscas. Ao som do violino e da sua guitarra, Sheeran fala sobre o amor e sobre como quer ser amado. O que prometia ser apenas mais uma música relaxante, converte-se à medida que se ouve o final num momento explosivo. As crescentes vozes e palmas de uma espécie de coro juntam-se com os vocais potentes do vocalista e dão emoção às palavras “Give me love/Love me”.
Talvez não tão bem produzido quanto o álbum “x”. Contudo, este primeiro álbum apresentado por Ed Sheeran revela as bonitas imperfeições de um começo. As suas faixas revelam o talento do artista aos 20 anos de idade, e marcam o resto da sua carreira musical como sendo um dos maiores artistas do pop. Assim, embora para muitos “+” possa parecer apenas mais um trabalho acústico no meio de tantos outros. A verdade é que este álbum, relativamente simples, revela uma instrumentação sólida. Os seus ganchos cativantes e a sua melodia calorosa e nostálgica abre portas para à primeira grande era de Ed Sheeran nas nossas vidas.
Álbum: +
Artista: Ed Sheeran
Editora: Atlantic Records
Data de lançamento: 9 de setembro de 2011



