Anne Heche faleceu esta sexta-feira, dia 12 de agosto, devido a um acidente de viação. Contudo, a memória da atriz será eterna por quem foi e por quem não chegou a ser.

Anne Celeste Heche nasceu a 25 de maio de 1969, em Aurora, Ohio. Ao longo da sua curta vida, descobriu-se como atriz, diretora e argumentista. A sua carreira começou, em 1987, com a novela Outro Mundo, onde Anne tinha um papel duplo. As suas personagens gémeas Vicky Hudson and Marley Love proporcionaram-lhe um Emmy e dois Soap Opera Digest Awards, anos mais tarde.

Estreou-se e ganhou reconhecimento no mundo do cinema na década de 1990. Em filmes como, Donnie Brasco (1997), Volcano (1997), I Know What You Did Last Summer (1997) e Return to Paradise (1998). Porém, foi em 1996 que a atriz teve o seu primeiro papel substancial, no filme If These Walls Could Talk, onde contracenou com Cher e Demi Moore.

Seis Dias, Sete Noites (1998) é um dos filmes que mais se associa a si. Foi nesta longa-metragem que a atriz norte-americana ocupou pela primeira vez o lugar de protagonista. Desempenhou o papel de uma jornalista que fica presa numa ilha deserta com um piloto (Harrison Ford) após uma queda de avião.

No que diz respeito à sua carreira a partir dos 2000’s, Anne Heche explorou várias vertentes cinematográficas, desde filmes e séries, a sitcoms. De 2006 a 2008, protagonizou a série Men in Trees. De 2009 a 2011, ocupou um papel no elenco principal de Hung, uma série da HBO.  Além disso, apareceu esporadicamente em sitcoms como The Ellen Show e Murphy Brown. Em 2017, deu vida à mãe de um assassino em série, em O Meu Amigo Dahmer. Mais recentemente, desde 2021, entrou na série All Rise.

Em 2001, a atriz escreveu um livro de memórias, Call Me Crazy, onde dissecou a sua infância e revelou todas as experiências traumáticas que vivenciou. Desde os sistemáticos abusos sexuais do pai, ao (acredita) suicídio do irmão mais velho. Ademais, reflete sobre como o seu relacionamento com Ellen Degeneres, apresentadora de The Ellen Show, teve um impacto menos favorável na sua carreira. Ainda assim, a atriz sempre recordou o relacionamento com um tom positivo, uma vez que permitiu a mudança de mentalidades numa época em que a homofobia no meio artístico era mais proeminente do que nunca.

Anne Heche deu voz aos abusos que sofreu na infância e aos consequentes problemas mentais. Isto contribui para uma maior representação mediática das mesmas situações, ajudando um grande número de pessoas que lidaram com o mesmo. A atriz deixou uma marca gigante em Hollywood, mas que muitos alegam que deveria ser ainda maior.