Este ano, o dia é comemorado com o tema “Pode ser o salvador que alguém procura. Salve uma vida”.

Celebrado pela oitava vez no dia 18 de setembro, o Dia Mundial do Dador de Medula Óssea procura homenagear todos aqueles que, com a sua doação, trazem esperança e vida a quem mais precisa. Portugal é um dos países com mais voluntários inscritos no Centro Nacional de Dadores de Células de Medula Óssea, que, em 2021, contava com 400 mil dadores.

Com esta comemoração, o Instituto Português do Sangue e da Transplantação (IPST) pretende não só agradecer aos voluntários, mas ainda promover o reconhecimento da causa. O tema deste ano, “Pode ser o salvador que alguém procura. Salve uma vida”, alude para a importância da diversidade genética. Que tem registado um aumento da percentagem, podendo levar a uma maior probabilidade de todos os que precisam encontrarem um dador.

Em entrevista ao ComUM, Ana (nome fictício), que era já dadora de sangue, explicou como se tornou dadora de medula óssea. Foi “quando surgiu na família uma pessoa com leucemia” e soube que era “100% compatível”. A partir daí, “o processo de transplante alogénico foi rápido, uma vez que a doente em questão estava bastante debilitada”, contou.

O processo acaba por se diferenciar da doação de sangue e pode ser realizado de duas maneiras, consoante a escolha do dador. Ana explicou que, no caso da sua doação, foi, primeiramente, retirada uma pequena amostra sanguínea, que, de seguida, foi testada de forma a verificar a compatibilidade. Durante uma semana, foram-lhe feitas injeções na barriga com o intuito de aumentar a fluidez do sangue. Por fim, no dia da colheita, a dadora foi ligada a uma máquina onde as células estaminais são separadas e armazenadas num saco de transfusão. Um processo com a duração de, pelo menos, quatro horas. Simultaneamente, o doente que recebeu a transfusão passou por um processo de destruição de células malignas, até estar em condições de receber as de Ana.

No caso do outro método disponível, as células são recolhidas através de uma punção, realizada, normalmente, nos ossos da bacia. Aqui, o dador encontra-se anestesiado na altura da colheita, e tem de ficar, posteriormente, internado por 24 horas.

Ana informou-se “bem” sobre o processo antes de o realizar, através do Centro de Histocompatibilidade. “Primeiro é preenchido um questionário, e é feita toda uma explicação dos procedimentos”, declara. De seguida, “são explicados todos os passos que vão ser efetuados, assim como as normas, dando possibilidade de o dador desistir, se o desejar”, releva.

A dadora afirma não ter tido qualquer sintoma adverso após a dádiva. Apenas persiste o “sentimento de esperança que seja suficiente para curar a pessoa do outro lado da transfusão”. Quando questionada sobre a eficácia e o apoio dado pelo Serviço Nacional de Saúde (SNS) Ana não apontou defeitos. No entanto, alerta para a falta de divulgação da informação referente aos procedimentos.

A entrevistada encorajou possíveis dadores e atestou que “é bastante compensador sentir que ajudamos alguém a prolongar a sua vida neste mundo”. Partilhou, ainda, uma frase que leu no dia da sua doação: “Dê o melhor de si. Salve uma vida.”

Para ser um potencial dador de medula óssea é necessário ter entre 18 e 45 anos, ter no mínimo 50 kg e 1.50m de altura. Para além de ser saudável e não ter recebido uma transfusão de sangue desde, pelo menos, 1980. No dia da colheita, não é necessário estar em jejum, devendo fazer-se acompanhar do BI ou Cartão de Cidadão e do Visto de Residência, no caso dos cidadãos estrangeiros. As inscrições podem ser feitas através de um inquérito do IPST.