Esta condição de saúde é a principal causa de infertilidade por anovulação ou ausência de ovulação.

A Síndrome dos Ovários Poliquísticos (SOP) distingue-se pela presença de quistos nos ovários e, atualmente, é uma das desordens endocrinológicas mais comuns. O mês de setembro é dedicado à sensibilização para o problema, que afeta aproximadamente 6% da população feminina em idade reprodutiva.

A SOP foi descrita pela primeira vez pelos médicos Irving Stein e Michael Leventhal, em 1935, quando associaram a presença de cistos ovarianos à anovulação, hirsutismo (excesso de hormonas masculinas) e obesidade. A sua causa ainda não foi determinada. Há, no entanto, fatores hormonais e genéticos envolvidos que podem ser agravados por um estilo de vida menos saudável.

De acordo com um estudo de Joann Pinkerton, da Faculdade de Medicina da Universidade de Virgínia, as doentes apresentam um desequilíbrio hormonal que interfere nos processos reprodutivos normais. Os sintomas mais recorrentes são:

  • Ciclos menstruais irregulares (Oligomenorreia – menstruação com frequência anormal; Amenorreia – falta de menstruação);
  • Excesso de pelos corporais (com maior incidência no queixo, costas, lábio superior, polegares ao redor dos mamilos, dedos dos pés, e ao longo da linha alba);
  • Queda de cabelo (habitualmente na zona temporal);
  • Acne;
  • Obesidade;
  • Hipertensão arterial;
  • Alteração do metabolismo da glicose.

É importante referir que estes sintomas por norma surgem aquando da menarca (primeira menstruação). Contudo, são muitas vezes desvalorizados dada a irregularidade do ciclo menstrual nesta fase.

Trata-se ainda da causa mais comum de infertilidade. Além disso, está associada a um aumento do risco cardiovascular no caso de existência de obesidade, hipertensão arterial e alteração do metabolismo da glicose.

O diagnostico é, na maioria dos casos, feito através de uma avaliação completa dos sintomas e do histórico clínico da doente. O processo envolve a realização de um exame físico e análises de sangue para medir os níveis hormonais (de testosterona, FSH, prolactina e TSH). A ecografia pélvica é também usada para confirmar o diagnóstico.

A síndrome não tem cura e o tratamento varia de caso a caso, devendo ser analisado de acordo com os sintomas de cada paciente e do intuito terapêutico. Porém, as formas de tratamento mais recomendadas são a prática regular de exercício físico, o controlo do peso através de dietas de emagrecimento, o uso de pilula anticoncecional específica para SOP e a toma de fármacos específicos para limitar o excesso de testosterona. Além disso, o uso de estimulante da menstruação e ainda o recurso à psicoterapia para moderar o stress e reduzir a ansiedade causada pelas constantes mudanças corporais são também fatores importantes.