A Triste Balada do Homem do Jazz, longa-metragem da Netflix, é uma adaptação do filme O Homem do Jazz de 1927, no género de drama romântico musical. Protagonizado por Joshua Boone e Solea Pfeiffer, conta uma história de amor proibido e dramas familiares que se desenrola ao longo de 40 anos, numa trama de segredos e mentiras ao som dos blues do Extremo Sul dos Estados Unidos.

O filme retrata a história de Bayou, um homem humilde que se apaixona por Leanne, uma menina de família rica, mas que são proibidos de viver esse romance pela família da jovem. Os anos passam, mas nenhum dos dois consegue esquecer o que sente. Bayou torna-se num cantor de sucesso, enquanto Leanne é forçada a casar com outro homem. O amor que têm um pelo outro irá levá-los a grandes consequências.

O filme apresenta diversos temas tendo, no entanto, como premissa principal as questões raciais da década de 40.  De forma dura e simples, o argumento aborda o racismo, a segregação de raças e o preconceito discriminatório na vida dos personagens, tendo como destaque muitas situações que se perpetuam até os dias atuais.

Para além do racismo, esta obra cinematográfica faz alusão ao holocausto, à toxicodependência, ao abuso sexual e à condição feminina do antigamente (mulher casada, dona de casa e mãe). Tyler Perry consegue envolver e comover o telespectador de forma surpreendente utilizando o enredo da sua obra para mostrar a dura realidade de muitos que viveram essas situações na própria pele.

Com uma banda sonora incrível, o jazz e o blues ganham uma dimensão especial dentro do filme, explorando a cultura musical dentro de famílias negras, o seu símbolo de luta e representatividade. A banda sonora inclui uma música original cantada por Ruth B., canções com arranjo e produção de Terence Blanchard, vencedor de vários Grammys e duas vezes nomeado para os Óscares, música de Aaron Zigman e coreografia de Debbie Allen.

Ademais, também o cenário e os figurinos chamam à atenção pela rigorosidade e a alta qualidade. Levam-nos a invadir a nossa mente para aquele momento, dentro da televisão.

O roteiro de A Triste Balada do Homem do Jazz é denso, profundo e de crossover. O diretor atrai-nos para uma história de um amor proibido. Tal como as famosas obras de Shakespeare, Romeu e Julieta, e de James Cameron, Titanic, não acaba da melhor forma; algumas cenas são inspiradas nestes dois dramas épicos. O filme tem tido um impacto positivo nas redes sociais.