Falta de candidatos é um problema evidente

O dia 24 de outubro é marcado pela celebração do Dia do Exército Português. Comemora-se o dia em que as tropas de D. Afonso Henriques conquistaram Lisboa aos mouros em 1147. Por todo o país celebram-se atividades de cariz militar, desportiva, cultural e recreativa com o intuito de mostrar à nova geração o espírito de bem servir a sociedade.

Em entrevista ao ComUM, José Lima, Sargento-mor das Forças Armadas, admite que “mais do que um emprego, o que leva os jovens a seguir carreira militar é o espírito de aventura”. É no exército que muitos jovens encontram os valores procurados. No entanto, admite que “o número de admissões varia consoante o desemprego; se este for alto o voluntariado aumenta e, por sua vez, diminui se o desemprego for baixo”.

Atualmente, o voluntariado ou número de admissões encontra-se num nível baixo. A falta de candidatos causa sérios problemas no regime, “impede o normal funcionamento das Forças Armadas, assim como compromete as missões de Portugal no seio da NATO ou da ONU. José Lima afirma que “muitos desistem pelo caminho”, dado a que as expectativas de “aventura” não correspondem ao que esperavam. A maior parte dos candidatos não se informa o suficiente sobre o real objetivo na participação do exército.

Dado à diminuição de pessoal jovem que servem o exército, “a duração do contrato vai passar dos seis anos atuais para 12 ou 15 anos”. “As missões no estrangeiro quer pela NATO, quer pela ONU são responsáveis pela permanência dos jovens soldados nas fileiras”. Desta forma, também o Dia da Defesa Nacional tem como objetivo principal a sensibilização dos jovens para a temática da Defesa Nacional e das Forças Armadas.

A atual crise da administração pública está também a afetar a atual situação das Forças Armadas, traduzindo-se na “falta de meios, nomeadamente recursos humanos e reflete-se mais na categoria de praças”. A Categoria de Praças compreende uma série de especialidades, transversais a todo o Exército, de âmbito operacional e logístico. As Praças do Exército desempenham, devidamente enquadradas, funções de natureza executiva e atividades de âmbito técnico e administrativo.

Deste modo, é importante valorizar os recursos humanos do Exército, através do ensino e da formação, um processo permanente e sustentado, orientado para a aquisição de competências específicas. Assim, para além de assegurar maior eficácia e eficiência operacional aos seus quadros, contribui-se ainda para a reinserção dos militares dos regimes de voluntariado e de contrato no mercado de trabalho civil, atraindo simultaneamente os jovens para esta profissão.