“Respirei fundo e escutei o velho e orgulhoso som do meu coração. Eu sou, eu sou, eu sou”, reflete Sylvia Plath na sua obra mais conhecida, A Campânula de Vidro. A autora norte-americana celebra hoje, dia 27 de outubro, o seu 90º aniversário.
Nascida em 1932, em Massachussets, Sylvia Plath tornou-se num dos mais célebres nomes literários, pela sua eloquência poética e romancista. Desde precoce idade explorou a sua veia artística, tendo publicado o seu primeiro poema aos 8 anos. Durante o ensino secundário vendeu o seu primeiro poema ao The Christian Science Monitor e o seu primeiro conto ao Seventeen magazine.
A sua capacidade intelectual resultou na atribuição de várias bolsas de estudo. A primeira, no ano de 1951, para frequentar o Smith College, uma universidade privada na cidade onde nasceu. Posteriormente em 1952 ganhou um concurso de ficção veiculado pela revista Mademoiselle onde trabalhava. No Smith College era uma aluna prodígio com excelente desempenho a nível académico e revelava também o seu lado artístico.
Contudo, durante esse período sofreu uma forte crise de depressão, que resultou na primeira tentativa de suicídio. Abandonou os estudos temporariamente para ser hospitalizada numa clínica psiquiátrica, com um tratamento à base de eletrochoques.
Gradou-se do Smith College em 1955 e saiu dos Estados Unidos para estudar na universidade britânica, Newnham College, em Cambridge, com uma bolsa de estudos. Um ano depois, casou com o poeta britânico Ted Hughes com quem teve dois filhos. Em 1959, publicou os seus primeiros poemas num livro intitulado The Colossus, recebendo críticas bastante positivas.
Porém, Ted Hughes envolveu-se numa relação extraconjugal o que causou a separação do casal. Este acontecimento trouxe uma grande perturbação mental a Sylvia, provocando o agravamento da sua depressão crónica.
Em 1963, publicou a sua obra-prima, A Campânula de Vidro, metáfora para o isolamento e sufoco sentido pela protagonista do romance. Apesar da obra seguir a vida de uma personagem fictícia é considerada autobiográfica, por retratar a vida de Sylvia e narrar eventos semelhantes aos seus. O romance foi publicado sob o pseudónimo Victoria Lucas pela hesitação da autora em assumir a obra como sua numa sociedade que negligenciava doenças de fórum mental e que desfavorecia as mulheres.
Os seus poemas são melancólicos e retratam do que a poetisa sentia. Nos seus três últimos anos de vida escreveu fervorosamente abandonando as restrições sociais e as convenções do que era ou não poesia. Um dos seus poemas mais emblemáticos intitulado Daddy descreve a sua perturbadora relação com o pai, Otto Plath, que perdeu a vida quando a autora tinha apenas oito anos. A sua relação toxica com Ted Hughes e o sofrimento de uma jovem apaixonada são representados também na sua poesia, o que contribui para o seu tom melancólico. Assim, a sua poesia integra o que se designa de “poesia confessional”.
A autora deixou um legado vasto e impressionante que não se cinge apenas aos seus versos melancólicos ou à sua prosa autobiográfica, mas também aos seus diários. Escritos ao longo da sua vida, descrevem os eventos mais marcantes da artista. Os diários foram alvo de controvérsia por se teorizar que alguns dos seus excertos foram omitidos por Ted Hughes, por narrarem eventos do casal que desfavoreciam a sua imagem pública. Apesar disso, foram publicados post-mortem e contribuem para construção de quem foi Sylvia Plath e o que influenciou particularmente a sua visão artística. Num dos seus diários a autora citou inclusive “Eu desejo as coisas que me destruirão no final”.
Bela, jovem, apaixonada por Ted Hughes e desapaixonada pela amargurada vida, Sylvia Plath cometeu suicídio, intoxicando-se com gás, a 11 de fevereiro de 1963, com 30 anos de idade. A sua morte gerou grandes controvérsias, deixando os seus dois filhos, Frieda e Nicholas Hughes, órfãos de mãe. Especulou-se que o seu suicídio teria sido desencadeado pelos eventos de traição do seu casamento.
Ainda assim, foi depois da sua morte que Sylvia Plath ganhou reconhecimento pela sua obra. Tornou-se um símbolo de grande escala no movimento feminista norte-americano e britânico, ainda prematuro, que procurava trilhar os seus primeiros passos. Os seus livros ficaram como um dos principais legados de escrita do século XX. Slyvia Plath é considerada uma das principais artistas femininas da idade moderna com uma vida atropelada por situações difíceis e indeléveis que marcaram profundamente a sua poesia.




