George Miller é um realizador com uma carreira muito peculiar. Na sua filmografia constam obras como Happy Feet (2006) e Mad Max (2015), que não podiam ser mais distantes entre si. Desta vez, o realizador volta às salas de cinema com mais uma história mirabolante e fantasiosa, em Três Mil Anos de Desejo.

A protagonista desta história é Alithea, uma investigadora, que ao viajar para a Turquia se vê envolta numa trama que mistura Alladin com Mil e uma Noites. Isto porque Alithea compra num mercado uma garrafa de aspeto colorido. Acontece que dentro deste artefacto encontrava-se um génio da lâmpada que lhe concede os já tradicionais três desejos. A partir desta premissa o filme desdobra-se em cenários e situações imprevisíveis e fantásticas.

Engane-se o espectador que esperava, ao assistir o filme aqui apresentado, uma obra cheia de ação explosiva com momentos de tirar o fôlego, não é esse tipo de filme. Miller distancia-se ao máximo de Mad Max e consegue criar uma narrativa que tem como principal atrativo as histórias contadas pelo génio. A verdade é que grande parte do filme consiste em algo muito simples: duas pessoas a conversar num quarto de hotel. A grande proeza é tornar esta longa conversa em algo interessante e cativante para o público e isso é conseguido através dos visuais propostos pelo realizador para dar vida às histórias recheadas de magia do génio da lâmpada.

Outro detalhe que torna este enredo mais rico são os temas levantados durante a conversa entre os dois protagonistas. Questões como ética, valores da humanidade e ambição são abordados durante a longa-metragem. Como quando o génio questiona a Alithea sobre o que ela deseja, ao que a protagonista responde “nada”. A reação do génio é um misto de surpresa e de inquietação, nunca lhe tinha acontecido tal coisa. Segundo o génio, o ser humano nunca está satisfeito, deseja sempre algo mais, algo que não tem. Problemáticas como a ambição humana e até onde essa ambição pode chegar torna-se um dos temas principais desta obra cinematográfica.

Infelizmente sinto que falta coesão para este ser um dos melhores filmes do ano. Apesar das histórias do génio serem interessantes em nada acrescentam ao todo e, como estas ocupam grande parte do filme, a conclusão da narrativa chega a ser apressada e atabalhoada.

Quem carrega esta obra às costas são, sem dúvida, os seus dois protagonistas. Tilda Swinton e Idris Elba fazem uma dupla forte recheada de química e cumprem o objetivo de manter o espetador interessado. Os dois encontram-se incríveis, mas Idris Elba “rouba” um bocado o protagonismo com o seu génio. Desconfiado, sedutor e manipulador, o ator britânico consegue retratar na perfeição as nuances do personagem.

Em suma, Três Mil Anos de Desejo é um filme visualmente impressionante que representa na perfeição a sua história mágica e fantasiosa. Ainda assim, acaba por não entrar na categoria de melhores do ano pela sua inconsistência e pelo seu final trapalhão.