Numa altura em que decorre o Campeonato do Mundo de Futebol 2022, estamos a ser bombardeados, diariamente, com informação por parte de todos os meios noticiosos sobre o que se passa no Catar, tanto dentro como fora do campo. Face aos sucessos desportivos nacionais em competições internacionais, a cobertura diária e intensiva deste campeonato obriga-nos a pensar sobre a forma como os jornais desportivos tratam os variados desportos, que não sejam o futebol masculino.

Nos últimos anos, Portugal têm vindo a destacar-se como uma das grandes potências europeias a nível desportivo. Isto surge devido à excelência alcançada num variado leque de modalidades. Entre estes sucessos, destacam-se os títulos mundiais de Hóquei em Patins e Futsal em 2019 e 2021, respetivamente. Contudo, estes resultados não trazem uma mudança de paradigma nos jornais desportivos, cujas capas continuam a ser, maioritariamente,  relacionados com futebol masculino, deixando as outras modalidades para segundo plano.

Será que é mais importante o número de jornais vendidos do que noticiar o desenvolvimento das outras modalidades? Esta opção tomada pelo jornalismo desportivo português cria a ideia de que existe uma hierarquia presente na importância atribuída aos diferentes desportos, onde o futebol é o desporto principal, enquanto os restantes desportos são considerados secundários.

Os media podem aumentar o interesse da população por um determinado evento desportivo, consoante a forma como o decidem cobrir. Assim sendo, o futebol masculino ganha um enorme mediatismo, porque dispõe de um grande acompanhamento com informações constantes sobre aquilo que acontece dentro e fora das quatro linhas, suportado pelo interesse dos portugueses.

Desta forma, o futebol masculino consegue sobressair-se às restantes, uma vez que estas não têm o mesmo seguimento, sendo apenas destacadas quando se trata de uma grande conquista a nível nacional ou internacional. Recentemente, a seleção portuguesa de hóquei em patins sagrou-se vice-campeã do mundo no Mundial que decorreu na Argentina. Porém, os jornais desportivos optaram, no dia seguinte, por destacar os resultados dos encontros da Liga Bwin na capa, deixando um pequeno espaço na mesma para noticiar a conquista portuguesa no Mundial de Hóquei de Patins.

Esta opção editorial deve ser contrariada, porque todos os atletas presentes merecem o mesmo destaque, especialmente quando estão a representar Portugal numa competição internacional. No entanto, isso não acontece, porque algumas modalidades, como o Atletismo, apenas veem noticiados os seus resultados nas maiores provas internacionais, nomeadamente os Europeus, os Mundiais e os Jogos Olímpicos. Além disso, nem todas as conquistas têm a mesma cobertura e, consequentemente, o mesmo mediatismo.

Não é preciso procurar muito para encontrarmos uma conquista que não tenha recebido o devido destaque. Basta recuarmos ao passado dia 18 de Novembro, quando Portugal conquistou a medalha de ouro por equipas masculinas do Campeonato Mundial de Ginástica de Trampolim de 2022, que decorreu em Sofia, na Bulgária.

Após a competição, o diretor técnico nacional dos trampolins da Federação de Ginástica de Portugal, João Marques disse, em declarações à Lusa, que as quatros medalhas conquistadas por Portugal espelham “bem a evolução da modalidade em Portugal e todo o trabalho que esta geração tem feito”.

É importante dar o devido destaque a estas vitórias que colocam Portugal no pináculo em diversos desportos. Os atletas merecem ter o mesmo destaque que é dado ao futebol masculino, porque, tal como os futebolistas, trabalham, arduamente, todos os dias para verem o seu trabalho reconhecido pelos portugueses, que só conseguem ter noção destes sucessos internacionais se os meios noticiosos os noticiarem.