O grupo ensaia na Escola de Medicina da Universidade do Minho e é constituído por mais de quatro dezenas de estudantes.
A Tuna de Medicina da Universidade do Minho (TMUM) é um dos grupos culturais da academia minhota. A sua fundação data o ano de 2009 e desde então sobe aos palcos do norte ao sul do país e além-fronteiras. Em entrevista ao ComUM, o magíster Francisco “Mosby” Matos descreve a experiência de integrar o conjunto.
“Pertencer a uma tuna envolve toda uma entrega”, partilha o magíster da tuna. Francisco Matos conta que fazer parte da TMUM exige muita dedicação, “sobretudo quando estão a chegar atuações”. Contudo o “ambiente familiar” que se vive entre os membros é recompensador, o que acaba também por “desenvolver uma maior proximidade entre as pessoas”.
Os alunos chegam à tuna “atraídos pela música”, mas rapidamente decidem ficar porque “as pessoas querem saber e puxam umas das outras, e são mutuamente críticas”. Assim, cria-se uma sensação de “família”, de “convívio” e de “projeto comum”. A autoaprendizagem e o “desenrasque” são outros dos valores prezados pela TMUM. “Quando os alunos saem não sabem só tocar um instrumento e a usar melhor a voz”, constata o magíster. “Saem de lá a saber como é que se organizam eventos, como é que se lida com pessoas e até a cozinhar ou lavar roupa”, adianta. Além disso, a presença em palco é útil, na medida em que constrói o à-vontade necessário para apresentações académicas.
Francisco Matos apela a que os novos alunos da academia “mantenham uma mente aberta para os grupos culturais”. Incentiva a que deem uma oportunidade e a que se envolvam nas atividades extracurriculares que a universidade oferece. “É aquela velha recomendação: não se deve fazer só o curso”. Realça ainda que é errado pensar que só quem estuda Medicina pode pertencer à TMUM. Assim, salienta: “aqui estou eu, um aluno de Engenharia Biomédica, e sou magíster da tuna”.
O MOMENTMUM, festival de autoria própria, traz aos elementos diversos desafios e um trabalho acrescido. “Somos muito ambiciosos na decoração” pelo que a preparação arranca “meses antes”. Algumas das idealizações acabam por não resultar exigindo uma capacidade de readaptação, seja às condições do palco ou outro imprevisto.
A questão monetária leva os elementos grupo a percorrer a cidade de Braga em busca de patrocínios. “Nós temos apoios para fazer este tipo de eventos, mas não são suficientes”, sublinha. Por isso, procuram outras formas de financiamento de material, comida e donativos. Quando o tempo começa a apertar, acaba por ser “um mês inteiro dedicado à tuna”.
A sobrevivência da TMUM exige uma organização e um empenho contínuo, como explica Francisco Matos. Assim, a tuna divide-se em diferentes secções, cada uma com funções específicas. Começando pelo grupo de ensaiadores, estes “tratam da parte exclusivamente musical, preparando as músicas e escrevendo as pautas e linhas”, além de coordenarem os ensaios. O departamento logístico encarrega-se de questões como transportes, patrocínios e orçamentos. “Meses antes já se está a estudar como mover 40 pessoas para Lisboa, por exemplo”, esclarece.
A dimensão psicológica também assume uma parte importante no processo de preparação para atuações. O magíster conta que a maioria dos elementos fica “entusiasmada”. Ainda assim, o nervosismo, por vezes, toma conta da pessoa, sobretudo dos mais novos. Nessa situação, ocorre um trabalho de equipa em que os membros mais experientes tranquilizam os novatos, explicando como os concertos normalmente decorrem e aquilo que têm de fazer.
Artigo por: Beatriz Teixeira e Marta Rodrigues


