Depois do sucesso mundial de Dark, 1899 é a nova produção de Jantje Friese e Baran bo Odar. A série estreou na Netflix, no dia 17 de novembro de 2022.

Um navio parte de Londres rumo a Nova Iorque. No seu interior encontram-se tripulantes de várias nacionalidades e várias classes sociais. Todos têm o mesmo objetivo: chegar aos Estados Unidos. No entanto, o ressurgimento de um navio desaparecido há 4 meses muda completamente os seus planos.

1899 tem um ritmo narrativo rápido, apresentando muitas perguntas e poucas respostas. Acontecem várias reviravoltas por episódio que nos deixam chocados, curiosos e cada vez mais confusos. O contínuo expandir do universo da série ao longo da temporada confirma mais uma vez que, com Friese e Odar, nada é o que parece.

Apesar disto, 1899 consegue manter o foco da narrativa, nunca indo rápido demais nem deixando o espetador perdido na imensidão da história. Contrastando com Dark, 1899 traz uma maior carga emocional das personagens – ajudando a criar uma maior empatia por parte dos espectadores.

No entanto, há um ponto a melhorar no que toca ao desenvolvimento das personagens. Por se tratar de um elenco enorme, algumas histórias foram apresentadas, mas não foram exploradas com profundidade, em contraste com outras. Isto deixa o público a desejar algo mais que acaba por não ter, pelo menos não nesta primeira temporada.

Um aspeto que caracteriza esta obra é o seu elenco internacional e o consequente caráter multilinguístico. Com a presença de várias nacionalidades a bordo, cada personagem fala a sua língua materna sendo poucas as personagens poliglotas. Assim, em cerca de 2 minutos de cena somos capazes de ouvir inglês, polaco, cantonês e português. Esta barreira leva a que as personagens tenham dificuldade em se comunicar, o que exige dos atores um domínio enorme da linguagem facial e corporal.

Em termos técnicos, 1899 utiliza tecnologia de vanguarda como é o caso dos enormes painéis LEDs que são utilizados para substituir um fundo verde. Também em termos de efeitos especiais, é óbvio o investimento que foi aplicado neste projeto. Com futuras temporadas, esta aposta tecnológica pode vir a desenvolver-se ainda mais.

Concluindo, 1899 é mais uma excelente obra de ficção científica da dupla alemã Jantje Friese e Baran bo Odar. Melhorando em vários aspetos da sua antecessora Dark mas com uma história completamente diferente e com detalhes que a distinguem. Para quem gosta deste tipo de conteúdos é visualização obrigatória.