Publicada em 1968 e aclamada pela sua invulgaridade, Em Açúcar de Melancia representa a capacidade do estranho para retratar a realidade crua da humanidade. É com fantasia e bom humor criada uma narrativa inquietante e, aparentemente, sem sentido.
iDeath é a cidade utópica criada nesta realidade onde o açúcar de melancia é o principal recurso. Com plantações imensas deste fruto e construções a partir do mesmo, são passadas vidas simples, livres de violência e ódio de outros tempos.
O personagem principal comunica com o leitor apresentando as pessoas mais relevantes na sua vida e todo o contexto ao redor das mesmas, para que então nos introduza no seu dia a dia. As personagens são muitos reais, com uma complexidade singular perante problemas e conflitos mais invulgares, dando o que pensar.
Deste modo, a narrativa apresenta muitos pormenores que dão ao leitor uma ideia de ainda maior proximidade com a história. A utopia criada acaba, no entanto, por se relevar não tão perfeita como aparentava ser, tornando-se um reflexo daquilo que realmente é uma sociedade.
A obra é dividida em capítulos muito pequenos, com títulos curtos e diretos, que criam uma facilidade na sua leitura e um ambiente minimalista. Richard Brautigan, sendo um ícone da contracultura, utiliza uma linguagem clara e direta para transmitir uma realidade diária normal dentro do anormal, passando aquilo que realmente importa e criando a sua imprevisibilidade.
O leitor é transportado para um outro ambiente, dando uma sensação de estranheza perante uma realidade completamente distorcida e evidenciando o seu carácter de romance pós-moderno, pós-apocalíptico. Esta sensação dá ao livro um valor bastante forte, com a capacidade do mesmo em fazer com que o leitor mergulhe na sua narrativa profundamente peculiar. Trata-se de uma obra aclamada por grandes figuras, como Haruki Murakami, e inclusive inspirou a famosa música “Watermelon sugar” de Harry Styles.
Em Açúcar de Melancia, transforma-se o incomum no real e é de forma estranhamente bela que nos envolve, saboreando a sua leitura. Richard Brautigan consegue entregar numa obra tão reduzida e tão peculiar uma oportunidade de reflexão perante uma suposta utopia de sociedade.
Título original: In Watermelon sugar
Autor: Richard Brautigan
Editora: Snob
Género: Ficção pós-moderna
Data de lançamento: junho de 1968



