Matilda: o musical, lançado em dezembro deste ano, é uma das estreias mais esperadas da Netflix. A história é original do escritor Roald Dahl (1916 – 1990) e é uma adaptação do filme Matilda, de 1997, só que desta vez em versão musical. Dirigido por Matthew Warchus, o filme baseia-se na mesma narrativa antes contada, mas traz uma caracterização diferente, abusando nas cores fortes do vestuário e cenários, e elementos ainda mais caricatos.

O filme retrata a história de Matilda, uma menina não desejada pelos seus pais egocêntricos e que ao longo da sua infância nem sequer notam a sua existência. Matilda viveu sem educação, mas caracteriza-se por ser muito culta e criativa; perde-se no mundo dos livros referindo a leitura como “férias imaginárias”.

Mais tarde começa a ter aulas numa escola considerada uma “prisão” pelos outros meninos, coordenada pela terrível, assustadora e desumana Sr.ª Trunchbull. A personagem traz a motivação necessária aos colegas para se revoltarem contra o período negro da diretora.

A direção de Warchus consegue levar a mensagem de tolerância e gentiliza para com o próximo a um novo público, conseguindo adicionar questões como a inclusão e o respeito pelas diferenças. A produção realiza cenas emblemáticas, como quando um aluno tem de comer um enorme bolo de chocolate para evitar o castigo e ao mesmo tempo os colegas adquirem um novo vestuário de musical. Estas cenas cativam o público, sobretudo a geração mais nova, pelo modo divertido e natural do desenvolvimento da história.

As cenas do musical empolgam e são muito bem coreografadas; destacam-se as canções “When I Grow Up” e “Revolting Children”. A banda sonora é incrível, consegue pôr a audiência a dançar e cantar. Os autores foram bem escolhidos para darem vida à sua personagem.

Emma Thompson dá vida à temida diretora Trunchbull. As toneladas de próteses e maquiagem que a tornam irreconhecível, não a impedem de realizar uma excelente atuação. O destaque fica para a famosa cena em que ela arremessa uma aluna pelos cabelos e quando obriga um aluno a comer um bolo inteiro. Já as crianças são carismáticas e tem espaço para brilhar, em especial nos números musicais.

Durante o desenrolar do filme, a imaginação da nossa protagonista conta uma história criada por ela, baseando-se na sua professora Honey, caridosa, que tenta proteger os alunos da maldade da diretora.  Esta adaptação não explora a origem dos poderes da menina, usados para derrotar a diretora, e a sua relação com os pais, o que poderá confundir alguns trechos da curta.

O roteiro mostra como as crianças tem o poder de questionarem o que é certo e errado. Elas podem revoltar-se contra aquilo que acham incorreto e podem ser “um pouco marotos”.