O Natal é uma época que tem várias cores, caras e tradições mas que muitas vezes se dilui no monopólio da arte americana. Hoje, trazemos um cheiro das produções musicais e cinematográficas que enchem esta festividade por todo o globo. Cada um tem o seu “Natal”, mas há  um elo comum que os liga, o espírito solidário, a alegria, o amor e a união. Nesta altura de reflexão, de mais um ano que passou e que traz com ele saudades, tristezas, alegrias e muitas memórias, deixamos algumas obras que caracterizam a pluralidade inserida neste dia.

Joyeux Noël (2005) – Em 1914, o Natal era celebrado de maneira muito diferente dos anos anteriores, devido a guerra que atormentava a época. No emocionante filme Joyeux Noël, cinco países juntam-se para contar uma história natalina, baseada em factos reais. O enredo é inspirado numa trégua, um evento milagroso de paz, que durou 2 dias. Onde os soldados franceses, escoceses e alemães depuseram as armas, saíram das suas trincheiras e celebraram o feriado juntos. A obra apresenta uma diversidade de línguas, regimes e uma diferente história de Natal de uma forma formidável. Mostra que todos queremos um feriado agradável, seja qual for.

Le Père Noël Est Une Ordure (1982) – Seria um infortúnio revelar o que quer que fosse sobre a sinopse de Le Père Noël Est Une Ordure, uma vez que o factor da surpresa é o que torna o visionamento deste filme numa experiência completamente inesquecível. O clássico cinematográfico francês tem uma aura neurótica, agitada e confusa. Há uma sucessão de acontecimentos inconstante que abordam temas densos da forma mais leviana possível. A comédia francesa distingue-se imensamente dos filmes natalícios tradicionais, sobretudo, porque o feriado se torna num pormenor tão secundário que mal nos lembramos.

Home for Christmas (2020) –  Johanne é o único membro da família que não tem nem namorado nem filhos. Cansada dos comentários sobre a sua vida amorosa, a protagonista mente num jantar de família no primeiro dia de dezembro que tem companheiro, tendo de arranjar um até á véspera de Natal. Home for Christmas é o típico de cliché de Natal, tendo a particularidade de ter a Noruega como espaço. A audiência tem assim a experiência da já tradicional história desta festividade, mas tendo o conhecimento dos costumes do país nórdico.

Tower (2013) – O filme coreano dirigido por Ji-hoon Kim, traz uma história natalícia emocionante e que foge dos convencionais filmes da época. A narrativa desenvolve-se quando uma festa toma lugar num prédio residencial de luxo na véspera de Natal, organizada para os seus residentes. O impensável acontece quando um incêndio se alastra pelo edifício, causando o pânico e fazendo com que uma série de acontecimentos trágicos se desenvolvam. Fugindo das típicas histórias de Natal onde o romance e as relações de afeto prevalecem, este filme traz-nos um lado muito mais cru e real da humanidade e de como situações difíceis podem levar-nos ao impensável.

Happy Diwali (2011) – A festividade que precede esta música é Diwali, mais conhecido como o festival das luzes na Índia. Com um nome diferente, continua a luminosidade característica, o “estriar roupas novas”, dividir doces e lançar fogos de artifício do Natal ocidental. Esta música apresenta um ritmo alegre que se completa pela alegria e a inocência das crianças. Afinal é para esta faixa etária que a magia é maior. Na sua simplicidade,  engloba toda a significação do Natal.

High School Musical: The Musical: The Holiday Special (2020) – O episódio natalício da série inspirada na famosa história dos alunos de East High reúne tradições e músicas natalícias do elenco. Para além de agradar os amantes da série reboot por ficarem a conhecer melhor os atores, este especial de Natal é também uma ótima oportunidade para o espectador que deseja saber mais sobre como é o Natal noutras culturas. Em High School Musical: The Musical: The Holiday Special aborda-se a festa Judaica Hanukkah. Os atores que celebram esta festa de oito dias contam ao espectador como é a celebração e as tradições a ela ligada, para além de cantarem as músicas mais conhecidas da festividade.

Feliz Navidad (2014) – a música da autoria do porto-riquense José Feliciano foi lançada em 2014. A canção tem uma letra simples. Canta-se durante toda a obra “Feliz Navidad, próspero año y felicidad” e “I wanna wish you a Merry Christmas from the bottom of my heart”. São os aspetos latinos do ritmo e da melodia que a tornam especial- não só por se diferenciar dos típicos hits americanos mas também pela alegria presente. É, por isso, uma das músicas de Natal mais populares, tendo diversas versões.

Christmas EveL (2021) – Christmas EveL dos Stray Kids foi um álbum lançado em 2021 traz um sabor especialmente diferente das tão conhecidas e adoradas músicas natalícias. Fazendo jus ao género mais alternativo do grupo o álbum traz diferentes músicas que trazem diferentes perspetivas do Natal. A faixa principal com o mesmo nome do álbum traz um conceito extremamente original e criativo, onde o grupo assume o papel de Pai Natal e vai distribuir presentes. Uma sonoridade única que junta o melhor que o vocal e o rap do grupo tem para oferecer. As letras são ainda bastante curiosas com uma certa satirização da época natalícia e dos costumes habituais que decorrem desta celebração. “24 to 25” é uma música que toca nos sentimentos do público trazendo um lado mais doce do grupo em conjunto com Winter Falls uma música perfeita para aquecer os corações nesta época especial. O álbum é encerrado com a versão inglês da musica previamente lançada Domino que é predominantemente focada no rap e é uma das mais famosas do grupo. O álbum foi lançado pelo grupo nesta época natalícia como um presente aos fãs e já conta com milhões de streams pelo mundo. Um álbum a não perder para sair da típica sonoridade da época.

Amor Real (2020) – Uma vibe bastante diferente do que estamos habituados quando ouvimos o nome Anitta. “Amor Real” é a sua proposta natalícia. Inicialmente a música era uma publicidade para uma loja americana Target, contudo, o público gostou tanto que a artista lançou-a nas plataformas. A letra mistura o inglês com o espanhol numa tentativa de demonstrar união entre as famílias, principalmente aquelas que estão separadas e se juntam nesta altura. Diferente das demais músicas natalinas, esta apresenta-se como sendo mais latina, porém não perdendo o seu espirito pop americano.

Stille Nacht (1965) – Traduzida em 300 idiomas, a música austríaca é quase uma canção “omnipresente” no Natal, figurando desde 2011 na lista do Patrimônio Cultural Imaterial da Humanidade da Organização das Nações Unidas. O poema foi escrito em tempo de guerra, o que não impediu o seu sucesso na cena mundial. Pelo contrário, a sua carga histórica faz com que a sua lírica seja mais poderosa. No meio do caos e sofrimento houve uma ” Noite Feliz”, a noite natalícia. Se até os que mais sofreram na nossa história levaram este dia como um momento feliz, porque é que as gerações futuras não o farão. É uma tradição que deve continuar, não só por constituir um legado de esperança, mas também porque independentemente dos seus precedentes é, atualmente, um momento de felicidade para muitas famílias, um momento mágico a que chamamos no ocidente “Natal”.

Artigo por: Miriam Ramirez, Maria Mirra Gonçalves, Filipa Correia, Margarida Da Silva Carvalho, Diogo Braga e Lara Inês Freitas.