O dia 14 de fevereiro é conhecido mundialmente pelo seu caráter aprazível e belo, associado ao amor. Apesar do dia dos namorados ser uma comemoração especial, algumas das suas representações cinematográficas e literárias não o são. Por isso, em tom irónico, este ano o ComUM decidiu fugir à regra. Reunimos cinco das piores comédias românticas e três dos piores romances literários de sempre para comemorar esta data.
Cinema
Noivas em Guerra (2009) – Noivas em guerra… o nome já diz por si próprio! Com um roteiro extremamente previsível, o filme é considerado por muitos uma das piores comédias românticas do século! Duas amigas que se conhecem desde pequeninas compartilham o sonho de se casarem num famoso local da cidade. Contudo, a questão torna-se uma guerra entre as noivas quando se descobre a disponibilidade de apenas uma data para casamento, que fazem de tudo para sabotarem uma a outra para realização do sonho. Apesar de um enredo sem muitas emoções, o filme é capaz de proporcionar risadas aos telespectadores em meio a tanta futilidade em forma de comédia romântica. (Título Original: Bride Wars)
O Guru do Amor (2008) – As comédias românticas contêm em si a capacidade extraordinária de aliar o humor intenso à paixão desafogada e contagiante, não é o caso do filme O Guru do Amor, de Marco Schnabel. A história baseia-se nas tentativas inusitadas de Maurice Pitka (guru) em restaurar o amor de Darren e Prudence, combatendo a atual relação desta com Jacques Grande. Pressupõe-se que numa comédia romântica o amor seja efetivamente uma variante importante, no entanto, nesta produção, todo o enredo amoroso é só a base para um monte de piadas de mau gosto, sendo por vezes encarado somente como um elemento necessário para atingir um fim: neste caso, a vitória de Darren nos campeonatos de hóquei no gelo. Deverei confessar que toda a história causa alguma estranheza, e o cúmulo do ridículo, bem presente nesta produção, deixa muito a desejar. (Título Original: The Love Guru)
A Barraca do Beijo (2018) – A obra cinematográfica da Netflix é a pior comédia romântica de 2018. O filme desenvolve-se à volta de dois irmãos, Noah e Lee, e a sua melhor amiga, Elle. No último ano do secundário, a protagonista feminina desenvolve um interesse romântico por Noah, o que acaba por ser um amor quase impossível pela relação conturbada dos irmãos. As personagens não têm qualquer interesse ou personalidade própria fora do triângulo de amizade que se gera. O casal protagonista revela ser extremamente forçado, com o Noah a ser um rapaz abusivo e agressivo com os possíveis interesses românticos de Elle, que se torna apenas o alvo da disputa de atenção dos dois irmãos. (Título Original: Kissing Booth)
Relações Perversas (1998) – A questionável comédia romântica, Relações Perversas, é protagonizada por Drew Barrymore e Luke Wilson. O filme apresenta Sally que está grávida de um homem casado. A mulher, ao descobrir da infidelidade, manda os seus filhos assustar o padrasto, mas estes acabam por matá-lo sem querer. Para descobrir quem ouviu a situação na interferência no rádio, Dorian acaba por arranjar um emprego onde Sally trabalha. Apaixonando-se assim com a amante do padrasto que acidentalmente matou. Uma história demasiado estranha e com certeza perversa, onde o filho da protagonista é irmão do homem com quem namora. (Título Original: Home Fries)
Amor com Data Marcada (2020) – Rodeado pela aura natalícia, a comédia romântica da Netflix assenta a sua premissa em dois solteiros que se sentem pressionados e julgados pelas famílias por não terem um relacionamento, sobretudo durante as épocas festivas. Assim, Sloane (Emma Roberts) e Jackson (Luke Bracey) são dois desconhecidos que se comprometem a ser o par um do outro em todas as festividades, comemorações e eventos familiares do ano. Amor com Data Marcada não tem uma narrativa inovadora e muito menos cativante. Na verdade, segue a mesma linha de acontecimentos dos típicos clichés de Hollywood, sendo completamente previsível ao longo de todo o filme. (Título Original: Holidate)
Literatura
After (2014) – After é uma franquia de livros da autora Susan McMartin, que revelou ser uma das mais problemáticas da atualidade. A narrativa desenvolve-se à volta de Tessa, uma rapariga inocente e frágil no seu primeiro ano de universidade, que conhece Hardin, um rapaz problemático que se aproxima dela por causa de uma aposta: tirar-lhe a virgindade. O livro é extremamente problemático com a romantização de relações abusivas entre uma rapariga volátil e sem personalidade própria e um rapaz extremamente toxico que precisa de desenvolver várias questões do fórum psicológico. A franquia romantiza casais tóxicos com a idealização do amor perfeito em que um dos protagonistas salva o outro com o seu amor incondicional. O livro falha em entregar um romance bem desenvolvido que pode levar adolescentes a procurar relações extremamente tóxicas do género. (Título Original: After)
Para Todos Os Rapazes que Já Amei (2014) – A obra de Jenny Han relata a relação entre duas personagens Lara Jean e Peter Kavinsky. Na primeira instância do livro, a relação mostra-se artificial, uma vez que começa quando ambos decidem fingir namorar para fazer ciúmes à ex namorada de Peter. Lara Jean quando era mais nova tinha uma paixoneta por Peter, tendo-lhe escrito uma carta de amor que, no entanto, nunca chegara a enviar. Por obra do destino, neste caso personificado pela irmã de Lara, as cartas são enviadas. Assim Peter aproveita-se do sentimento que a protagonista nutre por ele para a usar. Ao longo do desenrolar da narrativa, apercebemo-nos que esse sentimento deixa de ser apenas um jogo e passa a haver uma troca sentimental honesta e facilmente perceptível tanto pelo leitor como pelo espectador na adaptação para filme. (Título Original: To All the Boys)
Já Te Disse Que Me Fazes Falta? (2019) – O terceiro livro da trilogia Já te disse que…, de Estelle Maskame foi, originalmente, escrita no Wattpad, mas a quantidade de fãs levou a que uma editora a tornasse num livro. Porém, fama nem sempre é sinónimo de qualidade. Nesta obra conhecemos a história de Eden, que decide ir passar um verão com o pai que a abandonou e a sua nova família. Quando chega a Los Angeles conhece Tyler, um “bad boy” e seu irmão emprestado. Mas com o tempo percebemos que ele não é apenas o que aparenta. Apesar de um enredo interessante, em que assistimos à conclusão da história de amor de dois irmãos emprestados com medo do que a sociedade possa pensar, há muitas coisas em falta. A protagonista tem atitudes capazes de irritar o leitor e, dessa forma, fazer perder o interesse na obra. Talvez um livro fosse o suficiente, já que a autora enrola muito e existem momentos bastante repetitivos para atingir um final nada surpreendente. (Título Original: Did I Mention I Miss You?)
Artigo por: Maria Mirra Gonçalves, Margarida da Silva Carvalho, Sofia de Paulo, Beatriz Teixeira, Miriam Ramirez, Constança Costa e Joana Caramelo.





